Ozempic: Com queda de patente o preço vai cair? Vamos ter versão genérica? Veja o que esperar agora

Ozempic: Com queda de patente o preço vai cair? Vamos ter versão genérica? Veja o que esperar agora


Ações judiciais por semaglutida se concentram no SUS
A patente da semaglutida, substância usada em medicamentos como o Ozempic, expira no Brasil nesta sexta-feira (20). Com o fim da exclusividade da farmacêutica Novo Nordisk, outras empresas passam a poder desenvolver medicamentos à base do composto. Na prática, isso abre caminho para concorrentes e uma eventual redução de preços — mas o efeito deve levar tempo para chegar às farmácias.
No Brasil, mais de 60% da população está acima do peso e 25% já enfrenta um quadro de obesidade. É nesse cenário que as canetas chegaram e se popularizaram no país.
Hoje, o país é o oitavo maior mercado da Novo Nordisk no mundo e movimentou mais de R$ 12 bilhões no ano passado com produtos à base da substância.
Até agora, a patente da semaglutida — substância usada em canetas emagrecedoras — pertence à empresa, que tinha exclusividade por 20 anos. Esse prazo termina nesta semana. A Novo Nordisk tentou entrar na Justiça para ampliar esse prazo por mais 12 anos, mas não conseguiu.
Com a queda da patente, abre-se espaço para novos concorrentes: empresas estrangeiras e brasileiras passam a poder produzir medicamentos à base de semaglutida. A expectativa era de que versões genéricas aparecessem rapidamente. Mas o cenário que se desenhou é um pouco diferente.
🔴 Abaixo, entenda o que acontece com a queda da patente, quais são os próximos passos para termos uma versão brasileira e o que pode acontecer com o preço.
Ozempic: caneta emagrecedora usada no tratamento contra diabetes e obesidade
Divulgação
O que acontece com a queda da patente?
A partir de sexta-feira, empresas brasileiras ou estrangeiras podem registrar medicamentos à base de semaglutida.
Esses produtos passarão por um processo regulatório na Anvisa. Ou seja, o fim da patente não significa que novas versões chegarão automaticamente ao mercado.
A Anvisa já tem pedidos de outras marcas?
Sim. Segundo a Anvisa, há 14 pedidos para produção de semaglutida em análise.
A expectativa é que sejam concedidas, no máximo, três autorizações por semestre — um trabalho que deve se estender até meados de 2028.
🔴 Dois pedidos estão em fase mais avançada de análise: das farmacêuticas EMS e Ávita Care. A Anvisa chegou a indicar que poderia dar uma resposta sobre esses dois casos ainda nas primeiras semanas de março, mas isso não ocorreu.
O lançamento de uma versão nacional depende dessas autorizações e ainda pode sofrer atrasos caso surjam obstáculos, principalmente ligados à importação de insumos e à distribuição para as farmácias — um desafio constante em um país de dimensões continentais.
Ou seja, no primeiro momento, mesmo com o fim da patente, não devemos ter uma concorrente nacional tão cedo.
E vai chegar mais barato?
🔴 Nenhuma das canetas brasileiras deverá ser classificada como genérica, categoria que obriga os laboratórios a oferecer ao menos 35% de desconto em relação ao medicamento de referência.
De acordo com a Anvisa, isso acontece por uma característica do próprio produto. As canetas são consideradas medicamentos biológicos — e, nesse tipo de produto, não existe a intercambialidade que define um genérico. Nesse caso, os medicamentos são classificados como biossimilares.
Especialistas apontam que biossimilares costumam ser mais baratos do que os biológicos de referência, mas com reduções menores que as dos genéricos — geralmente perto de 20%.
Aplicado a esse cenário, as versões brasileiras — que ainda não tiveram seus nomes divulgados — poderiam chegar ao mercado a partir de cerca de R$ 1.039,76, considerando que o Ozempic hoje é vendido por cerca de R$ 1.299,70.
Para estabelecer os preços tanto de similares quanto de genéricos, vale lembrar, são considerados os preços máximos de tabela do medicamento original.
Após a queda da patente, a Novo Nordisk também pode oferecer descontos maiores na tentativa de frear os concorrentes brasileiros, que, por sua vez, podem reduzir ainda mais os preços para se manter competitivos.
Por enquanto, porém, os pacientes só devem ter mais clareza sobre os valores quando os primeiros produtos forem aprovados.

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