Moraes envia para julgamento no plenário ação que questiona limites para acordos de delação

Moraes envia para julgamento no plenário ação que questiona limites para acordos de delação


Moraes pede para STF votar ação sobre limite para delações
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou ao plenário da Corte para julgamento, nesta quarta-feira (8), uma ação do Partido dos Trabalhadores (PT) que questiona limites para acordos de delação premiada.
A ação foi apresentada pelo partido em 2021 e quer delimitar constitucionalmente a aplicação do mecanismo. Ou seja, a partir da discussão, os ministros podem estabelecer regras ou restrições para acordos desse tipo.
Moraes é relator do caso e liberou o processo para que o presidente da Corte, Edson Fachin, marque uma data para julgamento presencial com manifestação dos demais ministros sobre o tema.
O pedido de Moraes ocorre enquanto há uma discussão sobre um eventual acordo de delação premiada com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, investigado por fraudes bilionárias relacionadas à instituição financeira.
➡️ A delação premiada, conhecida também como colaboração premiada, é um acordo feito entre uma pessoa investigada por crimes, o Ministério Público e a Polícia Federal. De um lado, as autoridades podem obter informações úteis para a solução do caso; de outro, o investigado pode garantir benefícios no processo penal e na condenação.
Alexandre de Moraes durante julgamento da Primeira Turma do STF sobre os acusados de mandar matar Marielle Franco
Mateus Bonomi/Reuters
O que diz a ação
O PT pede que o Supremo estabeleça regras para impor limites e restrições sobre acordos de delação premiada.
Em 2022, a Procuradoria-Geral da República se manifestou pela rejeição da ação no STF. A Procuradoria aponta que ação não é cabível porque há outros meios para discutir os pontos questionados pelo partido.
Na ação, o PT pede que o STF fixe que:
▶️as declarações do colaborador premiado, mesmo quando corroboradas por outras delações recíprocas, não poderão ser o único fundamento para ensejar decretação de prisões ou bloqueios de bens, por exemplo, ou sentença condenatória;
▶️estabeleça a garantia de que, em todas as fases do processo, o delatado terá oportunidade de manifestar-se após o decurso do prazo concedido ao réu que o delatou;
▶️as vantagens negociadas com o delator precisam estar previstas em lei;
▶️que será considerado nulo todo acordo de delação celebrado com réu em prisão cautelar manifestamente ilegal por falta de voluntariedade;
Segundo o partido, “o combate à criminalidade não deve e não pode ser feito à revelia das garantias processuais fundamentais”.

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