Lula se reúne com Macron na reta final de aplicação do acordo Mercosul-UE; país europeu resiste

Lula se reúne com Macron na reta final de aplicação do acordo Mercosul-UE; país europeu resiste


Presidente Lula e Emmanuel Macron, da França, durante bilateral na Índia em fevereiro de 2026
Reprodução/Redes Sociais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o presidente da França, Emmanuel Macron, durante viagem à Índia, nesta quinta-feira (19).
O encontro ocorre em meio a tratativas internas para ratificação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
Na ocasião, Macron convidou Lula para participar da reunião do G7, que ocorre em junho, na França (leia mais abaixo).
A França é um dos países mais críticos à aplicação do tratado Mercosul-União Europeia, que prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo.
O acordo foi oficialmente assinado em janeiro, mas ainda precisa passar por processos de ratificação dentro dos Estados-membros para entrar em vigor (entenda mais abaixo).
Apesar das divergências sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia, Brasil e França mantêm posições alinhadas em temas globais, especialmente na agenda ambiental. Lula e Macron também cultivam uma relação considerada muito próxima e cordial no campo diplomático.
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Após o encontro, o líder francês publicou uma mensagem nas redes sociais, no idioma do país e em português. Ele não citou o acordo Mercosul-UE, mas falou sobre inteligência artificial e redes sociais.
“Feliz em reencontrar um grande amigo em Nova Délhi, o presidente Lula. Estamos unindo forças por uma inteligência artificial responsável e por redes sociais que não coloquem nossas crianças em risco. Vamos conseguir. Não vamos recuar!”, publicou Macron.
Convite para reunião do G7
Nesta tarde, o Planalto divulgou nota confirmando o encontro entre os dois líderes. Segundo o governo, Lula e Macron também conversaram sobre cooperação nas áreas de defesa, ciência e tecnologia, e comércio.
Temas como agenda global e paz também estiveram na pauta.
“Também conversaram sobre integração transfronteiriça e os esforços conjuntos para combate ao narcotráfico, ao garimpo ilegal e a outras formas de crime transnacional na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa”, diz o comunicado.
Ainda segundo o Planalto, os presidentes destacaram o intercâmbio comercial recorde de 10,3 bilhões de dólares em 2025, “reconhecendo que o resultado ainda permanece aquém do potencial das duas economias”.
O governo informou também que Macron convidou o presidente Lula a participar da Cúpula do G7 em Evian, na França, nos dias 15 e 16 de junho. O Brasil não integra o grupo, que reúne as maiores economias do mundo.
🔎 O G7 é um bloco informal de democracias industrializadas que se reúne anualmente para discutir questões e preocupações compartilhadas. Fazem parte do G7 Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.
Viagem à Índia
O presidente Lula está em visita oficial a Nova Dheli, na Índia, onde participou nesta manhã da Cúpula sobre Inteligência Artificial (IA).
O petista tem aproveitado a agenda em fóruns internacionais para ampliar a articulação com líderes políticos e empresariais.
Depois da plenária, Lula também conversou com o CEO do Google, Sundar Pichai, e com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenković.
LEIA TAMBÉM: Em discurso na cúpula sobre o impacto da IA, Lula destaca a dualidade da tecnologia e defende a regulamentação das big techs
Croácia é a favor do acordo
À margem da Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial, Lula também se reuniu nesta quarta (19) com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenkovic.
Segundo nota divulgada pelo Planalto, durante o encontro, os dois líderes destacaram a importância da assinatura do acordo Mercosul -UE, tanto para o comércio como para o fortalecimento do multilateralismo em um contexto de conflitos globais.
Diferente de Macron que é contrário ao acordo, o primeiro-ministro, assim como Lula, deseja que o acordo entre em vigor o mais rápido possível.
Ainda conforme o Planalto, Lula e Plenković também discutiram temas relacionados à paz e à segurança internacional.
Acordo ainda precisa de aval interno
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado em 17 de janeiro pelos líderes dos Estados-membros dos dois blocos, após mais de 25 anos de negociações.
Mas, só passa a valer por completo depois de todas as aprovações internas serem concluídas nos dois blocos.
Apesar de a maioria dos integrantes da UE ter se mostrado favorável à assinatura, o acordo ainda enfrenta resistência de alguns países, que apontam possíveis impactos sobre o setor agrícola. É o caso de nações como Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia.
Apesar da possibilidade de judicialização na Europa após a aprovação do acordo, uma vez concluída a ratificação interna pelos países do Mercosul, o tratado poderá entrar em vigor provisoriamente. No Brasil, a expectativa de implementação é a partir do segundo semestre de 2026.
No campo comercial, o acordo entre Mercosul e União Europeia segue sendo um dos principais pontos de divergência entre os dois presidentes, já que o governo francês mantém resistências e uma postura protecionista, sobretudo por pressões do setor agrícola e por exigências ambientais.
Próximos passos
➡️No caso da União Europeia, o texto ainda precisado aval do Parlamento Europeu. Os termos foram encaminhados para o Tribunal de Justiça da UE, que ainda vai analisar a legalidade das medidas.
🔎Dependendo da interpretação jurídica, partes do acordo também poderão ter de ser aprovadas pelos parlamentos nacionais dos países-membros.
➡️Do lado do Mercosul, o acordo também terá de passar pelos Congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A previsão é que a Câmara dos Deputados avalie o acordo a partir da próxima segunda-feira (23), período de retorno das atividades parlamentares após o recesso de Carnaval.
Lula e Macron são próximos
Durante o terceiro mandato do presidente Lula, Macron visitou o Brasil em 2024, quando esteve no Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e na Amazônia.
Em nova passagem pelo país, durante a COP30, o presidente francês participou da conferência em Belém e também cumpriu agenda em Salvador, onde visitou projetos ligados à embaixada francesa e esteve no Pelourinho.

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