Lula e Trump se falaram por telefone antes de viagem aos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na sexta-feira (1º), uma ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa durou cerca de 40 minutos, de acordo com fontes do governo brasileiro.
Durante o telefonema, Lula se colocou à disposição para viajar aos Estados Unidos e realizar um encontro presencial.
Trump afirmou que sua equipe cuidaria dos detalhes para viabilizar a reunião, e o aval à data chegou já no dia seguinte, segundo interlocutores. O encontro entre os dois presidentes está marcado para quinta-feira (7) foi marcado.
De acordo com relatos, Trump adotou um tom amistoso ao longo da conversa. Ele teria dito que admira a trajetória política de Lula e comentou que pesquisou sobre a vida do presidente brasileiro.
Lula, por sua vez, afirmou que queria tratar dos interesses do Brasil e dos Estados Unidos, incluindo temas relacionados a conflitos internacionais e ao papel da Organização das Nações Unidas (ONU). Trump respondeu dizendo que tem interesse em ouvir as opiniões de Lula sobre esses assuntos.
Ao se despedir, ainda segundo fontes que acompanharam o relato da conversa, Trump encerrou o telefonema de forma informal, mandando um “I love you”, que significa “eu te amo” em inglês, ao presidente brasileiro.
Lula e Alckmin na Base Aérea de Brasília; petista embarcou para Nova York, para encontro de Trump
Ricardo Stuckert/Presidência da República
O encontro de Lula e Trump
A reunião é vista por fontes da diplomacia brasileira como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período de incertezas e tarifas de importação.
Além da economia, devem compor a mesa de discussões os seguintes temas (clique no assunto para mais detalhes):
ataque ao PIX;
cooperação contra crime organizado e narcotráfico;
parcerias em minerais críticos e terras raras;
geopolítica na América Latina, Oriente Médio e ONU; e
eleições no Brasil.
A viagem a Washington é fruto de um processo de aproximação que ganhou tração em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone por cerca de 50 minutos.
Após o telefonema, Lula disse que queria ir a Washington em março para ter um encontro “olho no olho” com Trump, mas a guerra no Oriente Médio atrasou a definição da agenda.
Lula e Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN em Kuala Lampur, Malásia.
Ricardo Stuckert/Presidência da República
De janeiro para cá, a relação já marcada por divergências entre Lula e Trump ganhou novos elementos de tensão no cenário internacional.
A guerra no Oriente Médio, episódios diplomáticos como o cancelamento do visto do assessor Darren Beattie e ruídos envolvendo a prisão e posterior soltura do deputado Alexandre Ramagem contribuíram para tornar o ambiente mais complexo, adicionando desafios à interlocução entre os dois governos.
Enquanto a reunião era negociada nos últimos meses, um auxiliar do presidente Lula explicava que a reunião entre Lula e Trump poderia ser “mais um ponto de partida do que um ponto de chegada” em termos de acordos.
Lula recebeu ligação de Trump antes de viagem aos EUA; governo avaliou conversa como ‘amistosa’
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