Lula diz que Trump ‘está ameaçando todo mundo’: ‘se ele soubesse o que é um nordestino nervoso, não brigaria com Brasil’

Lula diz que Trump ‘está ameaçando todo mundo’: ‘se ele soubesse o que é um nordestino nervoso, não brigaria com Brasil’


Lula diz que se Trump ‘soubesse o que é um nordestino nervoso, não brigaria com Brasil’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está “ameaçando todo mundo”.
“O mundo está difícil. O Trump está aí ameaçando todo mundo. Trump não sabe o que é um pernambucano. Senão ele não vai fazer ameaça nunca aqui. Se ele soubesse da minha descendência com Lampião ele tomava muito cuidado. Se ele soubesse o que é um nordestino nervoso ele não brigaria com o Brasil. De qualquer forma, não queremos guerra. Queremos paz”, disse Lula.
Lula discursou durante uma visita ao novo prédio do Campus Sorocaba do Instituto Federal de São Paulo.
Nesta sexta, o presidente dos Estados Unidos voltou a elevar o tom contra o Irã dizendo que eles “só estão vivos hoje para negociar” e ameaçou reagir caso as conversas fracassem, enquanto o Irã impôs condições para avançar no diálogo.
Representantes dos dois países se reúnem a partir deste sábado (11), no Paquistão, em meio a um cessar-fogo frágil — que Teerã afirma já ter sido violado por seus rivais, incluindo Israel.
O petista já havia dado uma declaração semelhante no início deste ano, quando afirmou, em tom de brincadeira, que se o presidente norte-americano soubesse do seu “parentesco com Lampião” não provocaria o Brasil.
Na cerimônia desta sexta, Lula reforçou que o Brasil é um país de paz.
“Queremos paz. Nós queremos ter acesso a cultura, passear, estudar, namorar, brincar. Só queremos coisa boa. Quem quiser guerra, vai para o outro lado do planeta porque aqui somos a terra de paz e do amor. Aqui somos a terra de quem não tem medo de ser feliz.”
Em 26 de janeiro, Lula e Trump conversaram por telefone, ocasião em que combinaram um encontro em Washington.
A ideia inicial era que o encontro na Casa Branca ocorresse em março, mas a viagem permanece sem data definida.
Um dos motivos para a data ser adiada foi o agravamento da guerra no Oriente Médio e as dificuldades para fechar a pauta bilateral.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN em Kuala Lampur, Malásia.
Ricardo Stuckert/Presidência da República
Um dos temas que seriam tratados entre Lula e Trump seria a agenda de segurança e combate ao crime organizado — tema considerado prioritário também na conjuntura eleitoral do Brasil.
Diante da falta de expectativa para a visita de Lula à Casa Branca, o Ministério da Fazenda anunciou que está em fase de conclusão de uma parceria entre a Receita Federal e o U.S.Customs and Border Protection (CBP), a agência de fronteiras dos Estados Unidos, para o combate ao crime organizado transnacional.
A iniciativa, denominada Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), visa integrar esforços de inteligência e operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes.
Conflito no Oriente Médio
Nesta quarta-feira (8), o Ministério de Relações Exteriores divulgou um comunicado nesta quarta-feira (8) no qual comemorou o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, pediu que os países evitem se engajar em ações “retóricas” e ainda defendeu a inclusão do Líbano no acordo.
O posicionamento do governo brasileiro foi emitido um dia após o governo de Donald Trump e o regime dos aiatolás chegarem a um consenso, de duas semanas, sobre o Estreito de Ormuz, região controlada pelo Irã por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Trump havia dito em uma rede social que uma civilização inteira iria “morrer”.
“Expressa satisfação com a perspectiva de negociações para estabelecimento de acordo de paz abrangente”, diz a nota do governo.
“A fim de resguardar um ambiente que conduza à redução de tensões e evite nova escalada, o Brasil conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica”, acrescentou.
O anúncio do governo faz parte de uma onda de manifestações da comunidade internacional ao anúncio de cessar-fogo na guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

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