Lula critica Flávio após reunião com Trump: ‘Filho de bolsonarista que não tem vergonha de trair a pátria e pedir intervenção’

Lula critica Flávio após reunião com Trump: ‘Filho de bolsonarista que não tem vergonha de trair a pátria e pedir intervenção’


‘Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles ficavam presos lá’, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (29) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por ter pedido ao governo norte-americano para classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência da República nas eleições deste ano, se encontrou com o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta terça-feira (26), na Casa Branca.
Um dia após a reunião, nesta quinta (28), o Departamento de Estado norte-americano oficializou a inclusão das duas maiores facções brasileiras na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados e de Organizações Terroristas Estrangeiras.
Lula acusou o parlamentar de “trair a pátria” ao pedir uma intervenção estrangeira em assuntos de segurança pública nacional.
“Eu tive três horas com o presidente [Donald] Trump, entreguei quatro documentos a ele. O senhor Marco Rubio [Secretário de Estado dos EUA] não estava lá, possivelmente porque ele estava preparado para ajudar um filho de bolsonarista que é candidato à eleição no país, que não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, de ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou o presidente.
“Se ele fosse pedir intervenção para prender miliciano, eles [apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro] ficavam presos lá”, emendou Lula.
A declaração de Lula foi dada durante um evento em Laranjeiras, no estado de Sergipe — ocasião em que o governo anunciou mais de R$ 72,5 bilhões em investimentos da Petrobras no estado.
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A medida adotada por Washington foi anunciada oficialmente pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Segundo o comunicado do governo Trump, o PCC e o Comando Vermelho estão entre as organizações mais violentas do continente, com ramificações internacionais que alcançam o território norte-americano por meio do narcotráfico.
🔎As novas classificações abrem a possibilidade de sanções para indivíduos e empresas ligadas às facções, e pode haver reflexos nas avaliações de agências de classificação de risco, além de outros efeitos secundários na economia.
Flávio Bolsonaro se encontrou com Trump na Casa Branca na terça-feira (27/5).
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM/@FLAVIOBOLSONARO via BBC
Tensões diplomáticas e eleitorais
A decisão divide opiniões nos bastidores políticos de Brasília. Aliados de Flávio Bolsonaro celebraram a medida, usando o tema como uma vitória política e munição eleitoral para criticar a atual gestão na área de segurança pública.
O senador argumentou que as facções operam como “governos paralelos” e que a cooperação internacional é necessária.
Por outro lado, integrantes do governo Lula e diplomatas brasileiros expressaram, nos bastidores, o temor de que as sanções americanas acabem prejudicando a economia brasileira.
O Palácio do Planalto também manifestou preocupação com possíveis interferências na soberania nacional e nas políticas internas de segurança pública do Brasil.
Reação do governo brasileiro
Minutos antes da fala de Lula, o Planalto divulgou uma nota em que criticou a família Bolsonaro pela articulação com os EUA e mencionou que a nova classificação pode colocar em risco o sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central, o PIX.
O texto também afirma que “medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”.
Outro trecho da nota destaca a aprovação recente de uma lei com penas mais duras contra facções e milícias, que podem chegar a até 80 anos de prisão.
A avaliação no Palácio do Planalto é que a medida abriria margem para ações como uma intervenção militar no Brasil.
No comunicado, o governo enfatiza ainda a importância da soberania nacional e esclarece que não aceitará interferência estrangeira.
“A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos”, conclui o texto.
RELEMBRE: Por que Lula não quer que Trump classifique facções como organizações terroristas?

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