Investigadores veem situação de Toffoli como insustentável e alertam ministros do STF sobre agravamento das investigações do Caso Master

Investigadores veem situação de Toffoli como insustentável e alertam ministros do STF sobre agravamento das investigações do Caso Master


Investigadores ouvidos pelo blog nos últimos dias são taxativos: a situação do ministro Dias Toffoli é vista como insustentável e tende a se agravar. Não há, na avaliação deles, um ponto de virada que encerre a crise — apenas uma sucessão de desdobramentos que independem, inclusive, das decisões do próprio Toffoli.
O motivo é estrutural, explicam investigadores. Há frentes da investigação que não estão sob o comando do ministro nem concentradas no Supremo. Em São Paulo, por exemplo, apurações envolvendo fundos e estruturas financeiras seguem em curso e podem gerar novos fatos a qualquer momento. Mesmo que Toffoli tente “organizar” o caso no STF, o desgaste pode vir por fora.
Esse diagnóstico já foi levado diretamente à maioria dos ministros da Corte. Investigadores alertaram que o caso tem potencial para “arrastar o tribunal para a lama”, transformando um problema individual em risco institucional. Ministros estão cientes da gravidade do quadro.
Dentro do Supremo, a leitura é dura, mas pragmática. Há quem concorde que a situação é complexa demais para que o ministro permaneça à frente do caso e defendem uma saída para baixo, ou seja, que o caso desça para a primeira instância.
Essa saída é vista como o “feijão com arroz” jurídico: não cria tese nova, é defensável tecnicamente, tira Toffoli do centro do caso e reduz a pressão direta sobre o STF. Não é uma saída honrosa. É apenas a menos traumática para a Corte.
Na avaliação de uma ala da Corte, a decisão sobre o que fazer está nas mãos do próprio Toffoli.
AFP via BBC
Essa é considerada a alternativa possível justamente porque a outra — Toffoli simplesmente deixar o caso — não é vista como factível. Ministros não acreditam que ele toparia se afastar voluntariamente da condução.
Ao mesmo tempo, há uma queixa interna: não houve uma tentativa real de convencimento institucional. Faltou uma conversa direta, coordenada, que buscasse construir essa saída antes que a crise ganhasse dinâmica própria.
O resultado é que a crise colocou o Supremo como tema político antecipadamente. Nos bastidores, a avaliação é que o STF foi colocado “na linha de tiro da campanha”. O tribunal deixou de ser apenas um alvo da extrema direita e passou a entrar no radar eleitoral de forma mais ampla, transformando-se em tema de disputa num momento de alta sensibilidade institucional.
O impasse central permanece: na avaliação de uma ala da Corte, a decisão está nas mãos do próprio Toffoli. Manter o caso no Supremo concentra o desgaste nele e amplia o risco de o tribunal ser visto como juiz em causa própria. Com novos fatos podendo surgir fora do alcance do relator, a contenção pode se tornar inviável.
A leitura interna é que que esticar a corda agrava a situação do tribunal e empurra o STF para o centro de uma crise política permanente. A crise de Toffoli, dizem investigadores e ministros, não tem prazo para acabar. Tem apenas a chance — ainda aberta — de ser contida antes de contaminar toda a Corte.

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