Influenciadores usam redes sociais para exaltar a nicotina sintética

Influenciadores usam redes sociais para exaltar a nicotina sintética


O filme “Obrigado por fumar” (“Thank you for smoking”), lançado em 2005 e dirigido por Jason Reitman, é uma sátira cirúrgica sobre a indústria do tabaco e a manipulação de informações. Há uma cena antológica na qual três lobistas, dos setores de álcool, cigarros e armas, se autointitulam o “esquadrão da morte” – é incrível como o longa se mantém atual. Cortando para 2026: influenciadores de bem-estar estão exaltando as supostas “qualidades” da nicotina como um recurso para melhorar a performance nos treinos.
Sachês de nicotina: influenciadores exaltam produto como se melhorasse o desempenho em treinos
Divulgação
Os “depoimentos” ganharam notoriedade nos Estados Unidos em um momento em que as taxas de tabagismo vêm caindo naquele país. A revista Stat fez uma ampla reportagem sobre essa “repaginação” de uma indústria cujo objetivo é alimentar o vício dos usuários. Atletas e podcasters estão nas redes sociais afirmando que sachês de nicotina – também conhecidos como snus – dão um gás extra na malhação. São pacotinhos de nicotina sintética com aroma e sabor, cuja comercialização é proibida no Brasil. No entanto, há anúncios nas redes sociais oferecendo o produto, que não é indicado para quem quer parar de fumar.
Os influenciadores também dizem que se trata de um estimulante “natural”, encontrado em tomates e berinjelas, mas sua presença ocorre em níveis ínfimos nesses alimentos. Enquanto as startups tendem a ser mais explícitas ao falar de bem-estar, as gigantes de tabaco usam associações implícitas. As propagandas da Zyn, a principal marca de sachê de nicotina (que pertence à Philip Morris International), mostram pessoas ativas em esportes ao ar livre.
A “narrativa” de que a nicotina ajuda a manter o foco e a concentração – o que auxiliaria o desempenho acadêmico e física – tornou os sachês populares entre jovens. Altamente viciante, seu uso pode provocar aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca; lesões na boca e no esôfago; processos inflamatórios e estresse oxidativo.
Adolescentes usam goma de nicotina para tentar driblar vício em cigarro eletrônico

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