Índice
Com poucos eventos no exterior, os investidores voltam as atenções para os números da indústria brasileira. A divulgação do IBGE sobre a produção de outubro promete movimentou a manhã, enquanto o cenário político e as falas recentes do Banco Central também entraram no radar.
▶️ O IBGE divulgou os dados da produção industrial de outubro. O setor avançou apenas 0,1% frente a setembro, abaixo da expectativa de alta de 0,4%. Na comparação anual, houve queda de 0,5%, contrariando a projeção de crescimento de 0,2% (veja mais abaixo).
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado:
💲Dólar
- Acumulado da semana: +0,43%;
- Acumulado do mês: +0,43%;
- Acumulado do ano: -13,30%.
📈Ibovespa
- Acumulado da semana: -0,29%;
- Acumulado do mês: -0,29%;
- Acumulado do ano: +31,83%.
Produção industrial
A indústria brasileira cresceu menos do que o esperado em outubro, encerrando o ano sem sinais de retomada consistente, em meio a dificuldades internas e incertezas externas.
Segundo o IBGE, a produção industrial avançou apenas 0,1% em relação a setembro, abaixo da projeção de alta de 0,4% feita por analistas.
Na comparação com outubro do ano passado, houve queda de 0,5%, contrariando a expectativa de crescimento de 0,2%. Com isso, o setor segue 14,8% abaixo do recorde histórico, registrado em maio de 2011.
Entre os fatores que pesam sobre a indústria está a política monetária restritiva: a taxa básica de juros (Selic) permanece em 15%, encarecendo o crédito e desestimulando investimentos.
Apesar disso, pontos como mercado de trabalho aquecido, aumento da renda e exportações para a Argentina ajudam a compensar parte dos efeitos dos juros, segundo André Macedo, gerente da pesquisa.
O cenário externo também contribui para a fraqueza do setor, especialmente após as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros em agosto.
“O resultado de outubro reforça a acomodação do crescimento, já que a indústria é a mais afetada pelo tarifaço americano”, explica André Valério, economista do Inter.
Dos 25 ramos pesquisados pelo IBGE, 12 cresceram em outubro. O destaque foi para as indústrias extrativas, com alta de 3,6%, impulsionada pela maior produção de petróleo, minério de ferro e gás natural, recuperando perdas anteriores.
Também avançaram alimentos (0,9%), veículos (2,0%) e produtos químicos (1,3%). Entre as quedas, coque e derivados do petróleo (-3,9%) e produtos farmacêuticos (-10,8%) tiveram os maiores impactos, devido a paralisações e menor fabricação de medicamentos.
Por categoria, bens de consumo duráveis subiram 2,7%, enquanto bens de capital e bens de consumo semi e não duráveis avançaram 1,0% cada. Já os bens intermediários recuaram 0,8%.
Bolsas globais
Em Wall Street, os mercados operavam em alta nesta terça-feira, impulsionados por ações de tecnologia, enquanto investidores aguardam dados importantes de inflação que serão divulgados na sexta-feira.
Por volta das 11h45 (horário de Brasília), o Dow Jones subia 0,03%, aos 47.304,31 pontos. O S&P 500 avançava 0,37%, para 6.837,86 pontos, enquanto o Nasdaq ganhava 0,85%, aos 23.473,97 pontos.
As bolsas europeias fecharam sem direção única, refletindo dados de inflação do bloco e notícias corporativas, enquanto as negociações de paz na Ucrânia seguem no radar.
O destaque foi a forte alta das ações da Bayer, após apoio do governo dos EUA em um recurso judicial sobre seu herbicida Roundup, o que impulsionou o índice alemão.
No fechamento, o STOXX 600 ficou praticamente estável (+0,04%), aos 575,50 pontos. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,01%, para 9.701,80 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,51%, aos 23.710,86 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, caiu 0,28%, para 8.074,61 pontos.
Já os mercados asiáticos tiveram desempenho misto. As bolsas da China caíram, com investidores cautelosos antes de reuniões que definirão metas econômicas para o próximo ano, enquanto Hong Kong registrou leve alta.
No fechamento: em Xangai, o índice SSEC caiu 0,42%, para 3.897 pontos, e o CSI300 recuou 0,48%, a 4.554 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,24%, para 26.095 pontos.
Já em outros mercados, o Nikkei ficou estável, a 49.303 pontos; o Kospi, em Seul, avançou 1,90%, para 3.994 pontos; o Taiex, em Taiwan, ganhou 0,81%, a 27.564 pontos; e o Straits Times, em Cingapura, subiu 0,24%, para 4.536 pontos.
Dólar — Foto: Karolina Grabowska/Pexels