Ibovespa cai quase 3% com guerra no Oriente Médio e dados do PIB do Brasil; dólar sobe a R$ 5,26 | G1

Ibovespa cai quase 3% com guerra no Oriente Médio e dados do PIB do Brasil; dólar sobe a R$ 5,26 | G1

As preocupações com o cenário geopolítico também se refletiam no Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira. O índice, que chegou a cair mais de 4% no início da tarde, marcava queda de 2,68% no mesmo horário, aos 184.243 pontos, acompanhando a queda generalizada dos mercados globais.

▶️ Pela manhã, Israel e Irã trocaram novos bombardeios, e explosões foram ouvidas em diversos países do Oriente Médio. O número de mortos no Irã subiu para 787. Já durante a tarde, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que “praticamente tudo” foi destruído no Irã e anunciou que uma nova onda de ataques ocorrerá “em breve”.

Os investidores temem que a guerra cause prejuízos na economia e elevação dos preços da energia, causando inflação e segurando os juros mais altos ao longo do ano. O movimento adotado é de vender ações e buscar proteção em ativos mais seguros, como o dólar.

“Nesse cenário, bolsas de outros países e também a brasileira registram perdas. No Brasil, os efeitos atingem principalmente ações de bancos, e investidores estrangeiros estão retirando dinheiro do mercado”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

“O pano de fundo é um mercado que passa a se preparar para um conflito mais longo, riscos fiscais crescentes e potencial instabilidade regional mais ampla, aumentando a volatilidade e reduzindo o apetite por investimentos mais arriscados.”

▶️Em meio à tensão no Oriente Médio, falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) também ficaram no radar, conforme investidores seguem atentos a sinais da instituição sobre quais os próximos passos na condução dos juros, em meio aos eventuais impactos da alta do petróleo nos preços.

▶️ No Brasil, o destaque fica por conta da divulgação do PIB de 2025, divulgado pelo IBGE. A economia brasileira cresceu 2,3% no ano passado, menor alta em cinco anos. O dado também representa uma desaceleração em comparação a 2024, quando o Brasil cresceu 3,4%.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

💲Dólar

  • Acumulado da semana: +0,62%;
  • Acumulado do mês: +0,62%;
  • Acumulado do ano: -5,88%.

📈Ibovespa

  • Acumulado da semana: +0,28%;
  • Acumulado do mês: +0,28%;
  • Acumulado do ano: +17,49%.

Petróleo em disparada

Os preços do petróleo continuam em forte alta nos mercados internacionais depois que o Irã declarou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou atacar qualquer navio que tentasse cruzar a rota. No meio da tarde, o barril do petróleo tipo Brent subia mais de 5%, cotado acima de US$ 82.

Com isso, países da região interromperam preventivamente a produção de petróleo e gás, como Catar, Arábia Saudita e Israel, agravando as preocupações com a oferta global.

Além do petróleo, o fornecimento de gás natural também foi afetado, reforçando a pressão sobre os preços da energia. O avanço do conflito elevou a percepção de risco nos mercados financeiros, que passaram a monitorar possíveis impactos sobre a inflação e o crescimento econômico mundial.

  • 🛢️ A forte alta do petróleo beneficia as empresas do setor porque elas vendem a commodity a preços internacionais. Quando o barril sobe, a receita dessas companhias tende a aumentar, o que melhora a perspectiva de lucro e impulsiona suas ações na bolsa.

Nem mesmo a disparada do petróleo tem conseguido sustentar as ações do setor. Apesar da forte alta da commodity, os papéis da Petrobras — que subiram mais de 4% na véspera — avançam pouco nesta terça-feira, figurando entre as poucas altas da bolsa brasileira.

“É um momento de grande cautela. O cenário internacional concentra muitos riscos e, sobretudo, falta clareza sobre os próximos passos do conflito. O investidor prefere ambientes mais previsíveis, e hoje o mercado opera sob forte incerteza”, afirma Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.

PIB brasileiro

Ainda assim, foi o quinto ano seguido de crescimento da economia. No quarto trimestre, a alta foi de apenas 0,1%, indicando estagnação no fim do ano. O principal motor do crescimento foi a agropecuária, que avançou 11,7%, impulsionada por safras recordes de milho e soja.

O setor de serviços cresceu 1,8%, mesmo com juros elevados, enquanto a indústria teve alta modesta de 1,4%, sustentada pelas indústrias extrativas (óleo e gás).

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias subiu 1,3%, desacelerando em relação a 2024 por causa dos juros altos e do endividamento.

Os investimentos do governo cresceram 2,9%, apoiados pela importação de bens de capital e pela construção. Exportações avançaram 6,2%, e importações, 4,5%.

Mercados globais

Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street operam no vermelho nesta terça-feira, conforme investidores seguem preocupados com o conflito no Oriente Médio e seus potenciais efeitos na economia global.

Perto das 15h20, o índice Dow Jones caía 1,08%, enquanto o S&P 500 recuava 1,21% e o Nasdaq Composite tinha queda de 1,30%.

Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 caiu 3,08%, aos 604,44 pontos, no nível mais baixo em um mês. O movimento de queda foi generalizado entre as principais bolsas da região e também refletiu os temores do mercado acerca da guerra no Irã.

A preocupação é que o conflito prolongado encareça combustíveis, transporte e produtos em geral, prejudicando a economia.

Entre os destaques, o índice FTSE 100, de Londres, caiu 2,75%, enquanto o DAX, de Frankfurt, recuou 3,44% e o CAC-40, de Paris, teve queda de 3,46%.

As bolsas da Ásia também fecharam em queda nesta terça-feira. Na China, o índice de Xangai recuou 1,43%, aos 4.122 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,54%, para 4.655 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,12% e terminou o dia em 25.768 pontos.

No Japão, o Nikkei despencou 3,1%, aos 56.279 pontos, e na Coreia do Sul o Kospi teve queda acentuada de 7,24%, fechando em 5.791 pontos. Em Taiwan, o Taiex recuou 2,20%, para 34.323 pontos, enquanto na Austrália o S&P/ASX 200 caiu 1,34%, aos 9.077 pontos.

A única exceção foi Cingapura, onde o Straits Times subiu 0,53%, para 4.916 pontos.

Painel eletrônico mostra as recentes flutuações de ações na B3 em 28 de outubro de 2021 — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

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