Segundo Haddad, estudos técnicos estão sendo conduzidos para “repensar” esses gastos de uma forma “mais moderna”.
“Está sendo discutido se, com o atual nível de investimento em Previdência Social, não seria o caso de repetir o que o Lula fez em 2003, quando havia vários programas e o Bolsa Família nasceu como um grande guarda-chuva [que os unificou]”, afirmou o ministro durante participação no CEO Conference, promovido pelo banco BTG Pactual.
“Talvez estejamos em uma situação que permita uma nova arquitetura […] nos gastos sociais”, completou o ministro.
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Haddad acrescentou que a discussão sobre um possível programa de renda básica também segue nessa direção.
“Todo mundo defende a renda básica porque ela parece mais racional, à luz das inúmeras demandas sociais que existem”, disse. “Eu entendo, olhando para o orçamento, que o Brasil talvez esteja maduro para essa nova alternativa”.
O ministro também defendeu a estrutura do arcabouço fiscal, mas disse concordar com a preocupação da “Faria Lima” em relação à sua dinâmica.
“Todo mundo tem razão quando fala que a dinâmica preocupa, porque tem coisas no Orçamento que ainda estão fora do espírito do arcabouço. Eu até tentei fazer [essa mudança] no final de 2024 com o Congresso, mas é muito difícil você convencer as pessoas a mexer no que é considerado tabu”, afirmou.
Juros e Banco Central
O ministro também comentou o atual patamar dos juros reais (descontada a inflação) no país, argumentando que “não há justificativa” para que a taxa continue subindo.
“Entendo que, com um juro real desses, você não consegue contrapor nenhum nível de superávit primário [quando as receitas superam as despesas]. Então você tem que continuar tomando medidas necessárias para equilibrar as contas”, disse Haddad.
O ministro reiterou que, ao criticar os altos juros reais, não pretende manchar a reputação do Banco Central, afirmando ser fundamental “cuidar” da instituição.
Haddad também comentou a sugestão dos nomes de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, e Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge, para a diretoria do BC.
“Recebi dessas duas pessoas a sinalização que tinham disposição para colaborar com o Brasil nessa posição. […] Mas quando a gente sugere um nome, é para avaliação. Não existe indicação”, completou.
*Esta reportagem está em atualização