Grandes bancos negociam medidas para elevar responsabilidade de instituições menores depois da crise do Master

Grandes bancos negociam medidas para elevar responsabilidade de instituições menores depois da crise do Master


Os grandes bancos saíram com crédito da crise gerada pelo Master e, agora, querem alterar o modelo regulatório para aumentar a responsabilidade de pequenas instituições financeiras que fazem operações de risco elevado no mercado.
Como foi o caso do Master, que levou à liquidação de mais três instituições, criando um rombo no Fundo Garantidor de Crédito de pelo menos R$ 51,8 bilhões.
A direção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e executivos dos grandes bancos vinham alertando o Banco Central (BC), desde 2024, sobre as operações ousadas e arriscadas que o Master vinha realizando.
🔎O FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos, que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema. É ele quem garante que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente alguma crise ou dificuldade.
O dono do Master, Daniel Vorcaro, rebatia, dizendo que se tratava de perseguições diante o crescimento de seu banco. Ele alegava que os grandes bancos não queriam concorrência.
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O desfecho da crise, com o Master sendo liquidado pelo BC, acabou dando razão aos grandes bancos. Entre executivos, o valor do rombo no FGC já é calculado em R$ 60 bilhões.
Para que isso não se repita, os principais bancos do país estão negociando mudanças no setor com o Banco Central.
🔎 A liquidação extrajudicial ocorre quando o Banco Central encerra as atividades de um banco que não tem mais condições de operar. Um liquidante assume o controle, fecha as operações, vende os bens e paga os credores na ordem prevista em lei, até extinguir a instituição. Nessa fase, as operações são finalizadas e o banco deixa de integrar o sistema financeiro nacional.
➡️Elas estão sendo formatadas a partir da premissa de que bancos que oferecem maior risco têm de contribuir para o FGC na proporção do risco gerado.
Na crise atual, um banco de terceira divisão foi liquidado e o prejuízo gerado por ele foi socializado com todos os bancos.
Sede do Banco Master, em São Paulo
Getty Images via BBC
Mais responsabilidade
A ideia é que também as plataformas que vendem CDBs desses bancos tenham mais responsabilidades nestas negociações. Hoje, elas ganham comissões elevadas e operam sem risco algum para suas instituições.
Os grandes bancos querem aumentar, por exemplo, a contribuição tanto das instituições financeiras expostas a maior risco e as plataformas que vendem seus produtos.
Hoje, eles não contribuem num montante que sirva para colocar um freio em suas operações. Atualmente, se expor ao risco é um bom negócio.
Em relação às plataformas, a proposta é que elas tenham também uma espécie de certificação do papel que estão vendendo de um banco pequeno, alertando se o investimento envolve algum tipo de risco. E teriam ainda de aumentar suas contribuições para o FGC.

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