Governo suspende importação de cacau da Costa do Marfim | G1

Governo suspende importação de cacau da Costa do Marfim | G1

O governo federal afirma que a suspensão foi adotada após uma avaliação técnica que apontou risco fitossanitário nas cargas destinadas ao Brasil — ou seja, a possibilidade de entrada de pragas e doenças que não existem no país por meio do cacau importado.

Segundo o Ministério da Agricultura, há um fluxo intenso de grãos de cacau provenientes de países vizinhos, como Gana, Guiné e Libéria, para a Costa do Marfim.

Esse movimento, diz o governo, pode levar à mistura de amêndoas de diferentes origens antes da exportação, prática conhecida como triangulação comercial.

Parte desses países, como Libéria e Guiné, não possui autorização para exportar o produto ao Brasil, o que aumenta o risco de contaminação das cargas enviadas ao país, afirma o governo.

No ato publicado no Diário Oficial, o governo determina que as secretarias de Relações Internacionais e de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura investiguem possíveis casos de triangulação.

A suspensão das importações será mantida até que o governo da Costa do Marfim apresente manifestação formal e garantias de que os envios destinados ao Brasil não contenham cacau produzido em países sem autorização sanitária.

O g1 procurou o Ministério da Agricultura para entender mais detalhes da medida, mas não teve retorno até a última atualização dessa reportagem.

➡️O Brasil é um grande produtor de cacau e a produção nacional consegue atender cerca de 80% da demanda interna. Outros 20% são importados.

Em 2025, por exemplo, a produção brasileira de cacau alcançou 186.137 toneladas, enquantos as importações chegaram a 42.199 toneladas, segundo dados levantados pelo analista Lucca Bezzon, da StoneX Brasil.

Do total do volume importado, 81% teve origem na Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau.

Pressão do setor e reações à suspensão

Segundo uma nota publicada pela Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), a decisão do governo foi baseada em uma nova análise de risco fitossanitário realizada pela missão técnica brasileira na Costa Marfim, entre os dias 1 e 14 de fevereiro, cujo relatório deve ser divulgado até o final desta semana.

A medida também acontece depois de uma agenda articulada pelo governador Helder Barbalho, do Pará, maior estado produtor de cacau do país.

Ele se reuniu com o Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e demais autoridades para defender interesses dos produtores de cacau paraenses e brasileiros.

“Isso foi uma reivindicação dos produtores rurais. [….] Isso vai permitir com que os produtos nacionais sejam valorizados, com que a produção de cacau no Brasil possa melhorar o preço e possa fortalecer aqueles que produzem”, destacou o governador.

Produtores de cacau protestam contra baixos preços na BA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) disse que a suspensão da importação “é fundamental para proteger a produção nacional do risco de ingresso de pragas e doenças no país”.

“A suspensão da importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim é medida cautelar de extrema relevância. Acreditamos na competência técnica da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa para que, com base em critérios científicos, tome a decisão mais assertiva para a proteção do cacau nacional”, afirmou o diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva.

Já a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) disse que recebeu a notícia com preocupação.

“A AIPC confia no corpo técnico do Ministério da Agricultura e Pecuária e reafirma que decisões dessa magnitude devem estar ancoradas exclusivamente em critérios técnicos, com base em evidências objetivas e avaliações de risco consistentes.”

“Confiamos igualmente no governo da República da Costa do Marfim, parceiro estratégico do Brasil no comércio internacional de cacau, para que possa apresentar os esclarecimentos e garantias necessários quanto à rastreabilidade e aos controles adotados para impedir a triangulação de amêndoas provenientes de países não autorizados.”

Imagem de amêndoas de cacau. — Foto: Claudia Assencio/g1

Postagens relacionadas

Itamaraty encerra nesta quarta inscrições para concurso de diplomata | G1

‘EUA querem relações estáveis ​​com a China, mas não confiam em Pequim’, diz secretário do governo Trump | G1

Banco Central anuncia novo liquidante para Banco Master | G1