FMI: Guerra pode elevar demanda por apoio em US$ 50 bilhões | G1

FMI: Guerra pode elevar demanda por apoio em US$ 50 bilhões | G1

A demanda por apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) deve aumentar entre US$ 20 bilhões (R$ 101,8 bilhões) e US$ 50 bilhões (R$ 254,5 bilhões) nos próximos meses, como efeito da guerra no Oriente Médio, afirmou a diretora-geral do fundo, Kristalina Georgieva, nesta quinta-feira (9).

Georgieva afirmou que a guerra está testando a economia global, com um corte de 13% no fluxo diário mundial de petróleo e de 20% no de gás natural liquefeito (GNL). Segundo ela, o cenário desencadeou um choque de oferta que fez os preços da energia dispararem, ao mesmo tempo em que interrompe as cadeias de fornecimento.

Em comentários preparados antes das reuniões da próxima semana do FMI e do Banco Mundial, Georgieva afirmou que a guerra levou o Fundo a cortar sua previsão de crescimento global.

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“Mesmo na melhor das hipóteses, não haverá um retorno puro e simples ao status quo ante”, disse Georgieva. O complexo Ras Laffan, no Catar, que produz 93% do GNL do Golfo Pérsico, por exemplo, está fechado desde 2 de março e pode levar de três a cinco anos para voltar à capacidade total.

“O fato é que não sabemos realmente o que o futuro reserva para a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, nem, por sinal, para a recuperação do tráfego aéreo na região”, acrescentou ela. “O que sabemos é que o crescimento será mais lento, mesmo que a nova paz seja duradoura.”

O conflito, que começou em 28 de fevereiro, terá efeitos em cascata por algum tempo, disse Georgieva, incluindo o fechamento de refinarias de petróleo e a escassez de produtos refinados, que já afetam o transporte, o turismo e o comércio.

Outras 45 milhões de pessoas enfrentarão insegurança alimentar, elevando o número total de pessoas com fome para mais de 360 milhões. As interrupções nas cadeias de oferta também devem continuar, dada a dependência industrial de insumos como enxofre, hélio — usado na fabricação de chips — e nafta, essencial para a produção de plásticos.

O FMI divulgará uma série de cenários em seu relatório Perspectiva Econômica Mundial na próxima semana, que vão de uma normalização relativamente rápida a uma situação em que os preços do petróleo e do gás permanecem elevados por um período prolongado, disse Georgieva.

Até mesmo o cenário mais promissor, segundo Georgieva, inclui redução da perspectiva de crescimento, devido a danos à infraestrutura, interrupções no fornecimento, perda de confiança e outros efeitos adversos.

Em janeiro, o FMI projetou crescimento global de 3,3% em 2026 e de 3,2% em 2027.

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