Flávio Bolsonaro perde apoio entre evangélicos, mulheres, jovens e no Sudeste, mostra Quaest

Flávio Bolsonaro perde apoio entre evangélicos, mulheres, jovens e no Sudeste, mostra Quaest


Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República
Carlos Moura/Agência Senado
O pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, perdeu apoio entre evangélicos, mulheres, jovens e na região Sudeste, mostram dados da pesquisa Quaest obtidos pelo g1. O detalhamento por região, sexo, idade, renda, escolaridade e religião ajuda a explicar a mudança de cenário captada nessa semana, quando o presidente Lula abriu 6 pontos de vantagem sobre Lula no 2º turno.
Desde março, Lula e Flávio apareciam em empate técnico na simulação de 2º turno da Quaest. Agora em junho, o petista passou a liderar, com 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio.
Entre uma pesquisa e outra, veio à tona a relação de Flávio com o banqueiro preso Daniel Vorcaro. O senador recebeu R$ 61 milhões do dono do banco Master a pretexto de financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”.
De maio a junho também, os Estados Unidos, de Donald Trump, anunciaram duas medidas que impactam o Brasil: a classificação das facções criminosas CV e PCC como organizações terroristas e o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros. As duas decisões saíram depois de uma visita de Flávio Bolsonaro a Trump e a integrantes do alto escalão do governo americano.
Onde Flávio Bolsonaro perdeu apoio
Dados da Quaest mostram perda de apoio a Flávio Bolsonaro nas regiões Sudeste e no agregado Centro-Oeste/Norte. O Sudeste concentra dois dos maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo e Minas Gerais.
“Regionalmente, a abertura de vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno aparece com clareza no Sudeste e no agregado Centro-Oeste/Norte. Nos dois casos, a queda de Flávio é maior do que o avanço de Lula, o que sugere perda líquida de apoio do senador nesses recortes”, afirma o diretor da Quaest, Felipe Nunes.
No Sudeste, Flávio Bolsonaro vem em queda desde abril. O senador, que já esteve na dianteira com 12 pontos de vantagem, deixou a liderança na região e agora está em empate técnico com Lula. O presidente mostra tendência de alta desde abril.
Intenção de voto para presidente no 2º turno – Lula x Flávio Bolsonaro no Sudeste
Arte/g1
No agregado Centro-Oeste/Norte, Flávio Bolsonaro oscilou 8 pontos para baixo. Com Lula em tendência de alta desde abril, o cenário também mudou para um empate técnico. No mês passado, o presidenciável do PL estava 14 pontos à frente. Hoje, está a apenas 2.
Intenção de voto para presidente no 2º turno – Lula x Flávio Bolsonaro no Centro-Oeste/Norte
Arte/g1
Mudança entre jovens, mulheres e evangélicos
Dados da Quaest mostram o presidente Lula com vantagem numérica sobre Flávio Bolsonaro entre todas as faixas etárias medidas. O senador perdeu a vantagem no único estrato em que liderava: as pessoas com idade entre 16 e 34 anos. Veja os números:
Intenção de voto para presidente no 2º turno – Lula x Flávio Bolsonaro entre pessoas com 16 a 34 anos
Arte/g1
Na faixa etária entre 35 e 59 anos, Lula manteve os 44% de intenção de voto, e Flávio oscilou de 40% para 38%. Entre pessoas com mais de 60 anos, o presidente passou de 46% para 44% e Flávio, de 38% para 37%.
“Entre as faixas etárias, o grupo de 16 a 34 anos é o exemplo mais forte da virada. Depois de três rodadas consecutivas com vantagem numérica de Flávio, Lula passa à frente nesse segmento”, diz Felipe Nunes.
O eleitorado feminino aparece como um desafio histórico para a família Bolsonaro, e os acontecimentos de maio refletiram em números menos favoráveis para Flávio, com a ampliação da vantagem de Lula nesse grupo. Confira os números:
Intenção de voto para presidente no 2º turno – Lula x Flávio Bolsonaro entre mulheres
Arte/g1
Entre os homens, Flávio registra vantagem numérica sobre Lula, com 44% contra 41% do petista. Como a margem de erro nesse estrato é de 3 pontos para mais ou para menos, a situação é de empate técnico – em maio, o senador liderava entre os homens com 8 pontos de vantagem.
Outro estrato em que o pré-candidato do PL perdeu força foi entre evangélicos, com uma queda de 9 pontos. Flávio ainda lidera nesse grupo, mas a vantagem em relação a Lula diminuiu de 37 para 21 pontos de maio a junho. Veja os números:
Intenção de voto para presidente no 2º turno – Lula x Flávio Bolsonaro entre evangélicos
Arte/g1
Movimentação de acordo com renda e escolaridade
Flávio Bolsonaro oscilou para baixo entre eleitores com renda de mais de 2 salários mínimos e aqueles que cursaram ao menos o Ensino Médio.
Entre as pessoas que ganham entre 2 e 5 salários mínimos, a vantagem numérica se inverteu de Flávio para Lula. Confira os números:
Intenção de voto para presidente no 2º turno – Lula x Flávio Bolsonaro entre 2 e 5 salários mínimos
Arte/g1
Flávio passou de 51% para 46% entre eleitores que ganham mais de 5 salários mínimos. Ainda assim, o senador está 12 pontos à frente de Lula, que manteve os 34% nesse grupo.
Em relação à escolaridade, Lula lidera com 7 pontos entre as pessoas com Ensino Fundamental e passou ao empate técnico nas outras subdivisões, que eram lideradas por Flávio até abril.
Entre os eleitores com Ensino Médio, há dois meses, o petista vem em tendência de alta e o pré-candidato do PL, em tendência de queda. Agora, Flávio tem 41% e Lula, 40%.
A maior movimentação se deu entre quem cursou o Ensino Superior. Flávio Bolsonaro liderava com 15 pontos em maio. Agora, está apenas 3 pontos à frente de Lula, em situação de empate técnico. Confira os números:
Intenção de voto para presidente no 2º turno – Lula x Flávio Bolsonaro entre pessoas com Ensino Superior
Arte/g1
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, aponta que a perda de apoio de Flávio se dá em segmentos que não se identificam necessariamento com Lula.
“A pesquisa indica que a abertura de vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno está associada a uma perda de tração de Flávio em segmentos fora do núcleo lulista, especialmente entre eleitores independentes. Esse é um dado relevante para acompanhar nas próximas rodadas, porque pode indicar uma mudança no comportamento de grupos menos alinhados ideologicamente”, diz Nunes.
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