O Ministério da Fazenda deve aumentar sua previsão oficial para a inflação de 2026. A expectativa é que os preços subam mais do que o estimado em maio, quando a projeção era de 4,5%, principalmente por causa dos efeitos do fenômeno climático El Niño. A informação foi dada nesta quarta-feira (2) pela secretária de Política Econômica da pasta, Débora Freire.
Em entrevista ao portal Jota, a secretária afirmou que o governo agora tem mais certeza de que o El Niño será intenso. Com isso, a desaceleração da inflação esperada para o segundo semestre deste ano deve ser menor do que o previsto.
“A gente já esperava um El Niño mais agressivo, mas agora esse cenário está se consolidando de forma mais robusta. Então, devido a isso, a gente entende que há um risco, há um vetor altista para a inflação neste ano”, disse.
Segundo Freire, a nova projeção deve ficar acima do teto da meta de inflação do Banco Central, de 4,5%, mas ainda abaixo da estimativa do mercado. Nesta semana, o boletim Focus do Banco Central apontou uma expectativa de inflação de 5,33% para 2026.
A secretária também disse que a Fazenda, por enquanto, mantém a previsão de crescimento da economia brasileira neste ano. A projeção divulgada em maio é de alta de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede tudo o que o país produz em bens e serviços.
Ela ressaltou, no entanto, que os números ainda estão sendo revisados e poderão ser ajustados antes da divulgação oficial, prevista para este mês.
Ministério da Fazenda — Foto: Agência Brasil
Juros altos pelo mundo dificultam crescimento no Brasil
Freire acrescentou que os juros mais altos nas principais economias do mundo tornam mais difícil o crescimento da economia brasileira em 2027. Segundo ela, a expectativa de uma taxa Selic maior do que a prevista anteriormente também pode reduzir o ritmo da atividade econômica.
Sobre as contas públicas, a secretária afirmou que o arcabouço fiscal, conjunto de regras que limita o crescimento dos gastos do governo, está cumprindo seu papel de melhorar as finanças públicas de forma gradual.
“Nossa expectativa é que o arcabouço fiscal faça a convergência da dívida pública no médio prazo, não no próximo ano”, afirmou.
Ela reconheceu, porém, que ainda há desafios. Entre eles, citou a necessidade de controlar o crescimento das despesas obrigatórias, como aposentadorias e benefícios, dentro do limite de aumento real de 2,5% ao ano previsto pelo arcabouço fiscal. Também destacou a importância de ampliar a formalização dos trabalhadores, o que aumenta a arrecadação de contribuições para a Previdência.