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Ex-modelo relata como escapou da rede de Jeffrey Epstein | G1

por Gilberto Cruz
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Seu relato surge enquanto duas investigações avançam na França sobre violência sexual e aspectos financeiros ligados à rede do milionário.

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Quatro meses após a divulgação dos “Epstein Files” pela justiça dos EUA, novos testemunhos continuam emergindo. Na França, ao menos dez potenciais vítimas se apresentaram à promotoria de Paris, segundo informou a procuradora Laure Beccuau, em entrevista à rádio RTL.

Entre elas está Juliette, ex‑modelo francesa que, aos vinte e poucos anos, cruzou o caminho de Jeffrey Epstein – sem saber quem ele era – e conseguiu escapar antes de ser capturada pela engrenagem de exploração sexual que hoje é investigada em vários países.

Juliette guardou quase tudo daquela época: o book, e‑mails, anotações e até a agenda onde escreveu à mão os contatos de Epstein e de Daniel Siad, um recrutador de modelos.

Anos depois, descobriria que Siad era suspeito pelo FBI de identificar e recrutar jovens para o milionário. Foi ele quem a abordou em Paris, em 2004, entre dois castings, oferecendo “oportunidades” em Nova York. Sua agência confirmou que Siad era “confiável”. Juliette aceitou.

Ela recebeu imediatamente uma passagem e instruções para solicitar apenas um visto de turista.

“Me deram o endereço de um apartamento em Nova York. Não sabia se era ligado a uma agência. Não me deram detalhes, nem horários, nada. Presumi que era profissional. Se não me davam informações, era porque não havia perguntas a fazer.”

O primeiro encontro: passaporte retido e mal‑estar  Ao chegar a Nova York, Juliette encontrou Epstein rapidamente. Ele não tinha “tempo para recebê‑la”, tomou seu passaporte e marcou para o dia seguinte.

Sua mãe, desconfiada, ligou para alertá‑la sobre o risco de uma rede de tráfico sexual. Juliette hesitou, mas decidiu voltar: “Nada tinha acontecido. Eu tinha um objetivo: conseguir contrato.”

Epstein tentou deixá‑la à vontade, mostrou o apartamento, apresentou um estúdio que não parecia profissional. Fotos de close de partes íntimas de mulheres cobriam paredes.

“Olhei com curiosidade e pensei: que fascinação é essa? Achei inadequado. Comecei a me sentir mal.”

Ele a conduziu por um corredor com quartos. Sentou‑se na cama e fez sinal para que ela se aproximasse. Juliette parou na porta:

“Te aviso, não vou fazer nada.” Epstein recuou, disse que só queria “avaliar” se poderia apresentá‑la às agências. Ela entrou. Ele pediu que ficasse de roupa íntima – comum no meio – mas também que tirasse o sutiã, o que não era.

Epstein a examinou, tocou suas coxas, quadris, nádegas. Disse que ela “não estava pronta”, que precisava perder peso e que levaria três meses até ser apresentada às agências. Ofereceu acesso a academias e “pequenos trabalhos” enquanto esperava: aeromoça em jato privado, acompanhante à noite. Foi aí que Juliette entendeu o risco.

A fuga Juliette se vestiu, pediu o passaporte e disse que pensaria.

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“Acho que ele sentiu que eu não ia permitir, ou que eu tinha entendido como funcionava”, relembra a jovem. Ela ficou mais alguns dias em Nova York, fez castings, mas percebeu que estava “queimada” em todas as agências. “É uma loucura.”

A vergonha a acompanhou por anos.

“Vergonha se fosse uma oportunidade de trabalho que perdi. Vergonha se fosse uma rede criminosa, por ter acreditado que podia ser outra coisa.”

Em 2019, ao ouvir o nome de Epstein no rádio, Juliette entrou em choque. Só então compreendeu o que havia escapado. Sua história, reconstruída com base nos documentos que guardou e no depoimento prestado à polícia francesa em 2019, revela como funcionava o processo de aliciamento do predador. (Entenda mais abaixo)

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Epstein já tinha sido condenado em 2008 por solicitação de prostituição e incitação de menores, cumprindo apenas 13 meses. Em 2019, foi preso novamente e encontrado morto na cela um mês depois.

Juliette prestou depoimento à polícia francesa em 2019. Seu nome aparece nos “Epstein Files”, os três milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA em janeiro de 2026. Ela acredita que o milionário a expor a “níveis de submissão” para medir até onde iria em troca de trabalho.

Rede em Paris: recrutadores, promessas e vulnerabilidade

As investigações abertas na França – uma sobre violência sexual, outra sobre aspectos financeiros – buscam entender como funcionava a rede de Epstein em Paris, onde ele viveu por anos.

  • Recrutadores identificavam jovens modelos, mas também algumas em fim de carreira, oferecendo contratos internacionais. A vulnerabilidade profissional era explorada como porta de entrada.

Juliette reconhece hoje os sinais: a falta de informações, o visto inadequado, o apartamento sem vínculo com agência, o controle do passaporte, a pressão psicológica, a promessa de “oportunidades” nebulosas. “Ele testava limites. Era um processo.”

Por muito tempo, Juliette não falou sobre o episódio.

“Eu não sabia quem ele era. E tinha vergonha.” Hoje, aos 43 anos, ela tenta reconstruir a narrativa da própria vida. “Passei anos revendo a cena. Só em 2019 entendi de verdade.”

Seu testemunho, agora público, ajuda a mapear o funcionamento da rede e a compreender como tantas jovens foram capturadas por um sistema que misturava glamour, poder e violência.

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