Segundo especialistas consultados pela Reuters, o impacto deve ser limitado no curto e médio prazo, uma vez que a principal preocupação do mercado de petróleo no momento não é a produção, mas o transporte da commodity, afetado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
“O anúncio de hoje não altera nada nesse aspecto”, afirmou à Reuters o estrategista sênior de pesquisa da Pepperstone, Michael Brown.
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“A meta de produção pré-conflito dos Emirados Árabes Unidos, de 5 milhões de barris por dia em 2027, agora pode se mostrar mais provável de ser alcançada, o que, por sua vez, ajudará os preços de referência do petróleo bruto a se normalizarem mais rapidamente assim que o conflito em curso no Oriente Médio chegar ao fim”, completou.
Ainda assim, segundo especialistas, a decisão levanta preocupações sobre os eventuais impactos na capacidade da Opep de gerir os preços do petróleo.
“Com o tempo, essa saída levanta uma questão estratégica mais ampla: se outros produtores começarem a priorizar a participação de mercado em detrimento da disciplina de cotas, a capacidade da Opep de gerir mercados de forma ordenada por meio de ajustes coordenados na oferta poderá ser cada vez mais questionada”, alertou o especialista do Saxo Bank, Ole Hansen, à Reuters.
Atualmente, a Opep exerce grande influência sobre os preços do petróleo no mercado internacional por meio da coordenação da oferta e da demanda entre os países produtores e exportadores da commodity.
- ➡️ Funciona assim: em vez de definir um preço fixo para a commodity, o grupo firma acordos de produção para ajustar a quantidade de petróleo disponível no mercado. São estabelecidas metas (ou cotas) para cada país que, quando cumpridas, ajudam a elevar ou reduzir os preços.
- Assim, quando há excesso de oferta no mercado global, o grupo reduz a quantidade de barris disponíveis, o que tende a pressionar os preços para cima. Já em períodos de demanda mais elevada, a produção pode ser ampliada para conter altas mais intensas nos preços.
Entre os países exportadores, os Emirados Árabes Unidos são o quarto maior produtor de petróleo do mundo e detêm a quinta maior reserva da commodity.
“A saída dos Emirados Árabes Unidos representa uma mudança significativa para a Opep. Juntamente com a Arábia Saudita, é um dos poucos membros com capacidade ociosa relevante — mecanismo através do qual o grupo exerce influência no mercado”, explicou o analista da Rystad, Jorge Leon, à Reuters.
Com isso, afirmou Leon, a principal implicação da decisão é uma Opep “estruturalmente mais fraca” no longo prazo.
“Fora do grupo, os Emirados Árabes Unidos teriam tanto o incentivo quanto a capacidade de aumentar a produção. Isso levanta questões mais amplas sobre a sustentabilidade do papel da Arábia Saudita como principal estabilizadora do mercado e aponta para um setor potencialmente mais volátil, à medida que a capacidade da Opep de suavizar desequilíbrios de oferta diminui”, completou.
Especialistas explicam que, apesar dos impactos negativos no longo prazo, a decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar o grupo não surpreendeu o mercado, já que o país tem discordado da política geral da Opep há anos.
Segundo o analista sênior do Centro Carnegie Rússia‑Eurásia, Sergey Vakulenko, os Emirados Árabes Unidos projetam aumentar a produção em até 30%, avanço que seria difícil de alcançar dentro das limitações impostas pela organização.
“Agora, provavelmente, é o momento menos prejudicial para anunciar essa decisão. Os preços do petróleo estão elevados e há escassez real devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Quando a passagem for reaberta, a demanda deve continuar alta, já que os países estarão recompondo as reservas consumidas desde fevereiro, o que tende a sustentar os preços”, avaliou Vakulenko à Reuters.
*Com informações da agência de notícias Reuters