Em tom de brincadeira, Lula diz que se Trump soubesse de seu ‘parentesco com Lampião’ não provocaria Brasil

Em tom de brincadeira, Lula diz que se Trump soubesse de seu ‘parentesco com Lampião’ não provocaria Brasil


Lula participa de evento do Instituto Butantan em São Paulo.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) que se o presidente norte-americano, Donald Trump, soubesse do seu “parentesco com Lampião” não provocaria o Brasil.
A declaração, em tom de brincadeira, foi feita durante uma cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo. Em seguida, Lula afirmou não querer briga com o norte-americano, já que haveria o risco de o Brasil ganhar.
“Quando eu viajar [para os EUA], eu sou muito teimoso e sou muito tinhoso, sabe? Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente”, argumentou.
Lula ainda ponderou que o trabalho do Brasil é “na construção da narrativa” sobre a importância do multilateralismo para o mundo (leia mais abaixo).
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“Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer? Então, a briga do Brasil é a briga da construção da narrativa, nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo”, justificou.
Na sequência, o presidente ressaltou que foi o multilateralismo que garantiu a paz em uma parte do mundo.
“Nós precisamos provar, num debate político, que foi o multilateralismo, depois da Segunda Guerra Mundial, que criou uma harmonia entre os Estados, e que permitiu que a gente vivesse em paz até agora, pelo menos numa parte do mundo. O unilateralismo imposto pela teoria que de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco, a nós, não interessa”, argumentou.
Visita a Washington
Em 26 de janeiro, Lula e Trump conversaram por telefone, ocasião em que combinaram um encontro em Washington.
Após a conversa, Lula confirmou que vai os Estados Unidos em março para ter um encontro “olho no olho” com Donald Trump.
A visita ocorre em meio a discussões sobre cooperação em áreas estratégicas, em especial, na segurança pública.
Lula tem manifestado interesse em ampliar a parceria nas áreas de repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, além do congelamento de ativos de grupos criminosos e do intercâmbio de dados sobre transações financeiras.
A iniciativa, segundo o Planalto, foi bem recebida por Trump.
A expectativa é que Lula aproveite a instabilidade no cenário internacional para reiterar o pedido de reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, um pleito do petista desde o primeiro mandato, em 2002. 
O presidente brasileiro ainda não respondeu formalmente sobre o convite de Trump para integrar o Conselho da Paz, mas propôs duas alterações-chave: que o órgão se limite à crise de Gaza e que a Palestina tenha assento.
A diplomacia brasileira vê o estatuto como problemático por dar poder excessivo ao presidente dos EUA e avalia que participar poderia legitimar uma espécie de “ONU alternativa”.
Lula faz visita ao Instituto Butantan.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Cerimônia no Butantan
Na ocasião, o presidente anunciou investimentos para ampliar a estrutura do Instituto Butantan e aumentar a capacidade para produção de vacinas e insumos imunobiológicos.
Isso inclui a fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA) para imunizantes como a DTPa (difteria, tétano e coqueluche) e a vacina contra o HPV.
A iniciativa, que busca reduzir a dependência de importações, prevê investimento total de R$ 1,4 bilhão.
Durante o evento, o governo também anunciou o começo da vacinação contra a dengue para profissionais de saúde da Atenção Primária do SUS, com base no desenvolvimento de uma vacina 100% nacional pelo Instituto Butantan.
O presidente Lula tem usado agendas na área da saúde para reforçar críticas à condução do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, lembrando a defesa de vacinas e da ciência em contraposição ao negacionismo adotado à época.
Em 2026, ano eleitoral, o tema voltou a ocupar espaço na estratégia política do governo Lula, que busca associar investimentos em vacinação, produção nacional de imunizantes e fortalecimento do SUS a uma marca de reconstrução das políticas públicas desmontadas no governo anterior.
Além de Lula, estavam presentes na cerimônia o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Assim como Lula, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também fez críticas a Trump e sua política antivacina. E afirmou que a resposta do governo brasileiro é ampliar o investimento.

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