Isso acontece porque, quando entra mais dinheiro do que sai do país — como ocorre quando investidores internacionais enxeregam oportunidades na bolsa ou em outros ativos brasileiros —, há um aumento na venda de dólares em troca de reais. Com isso, cresce a oferta da moeda americana no mercado, o que pressiona o preço do dólar para baixo.
“Houve um rearranjo na realocação do capital global, o que fez com que o dólar perdesse força não apenas frente ao real, mas também diante de diversas outras moedas”, explica o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves.
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O resultado reflete, principalmente, os novos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Após o fracasso das negociações por um acordo de paz entre os EUA e o Irã, no fim de semana, Trump determinou o bloqueio do Estreito de Ormuz a navios que circulem na rota de ou para portos iranianos.
As incertezas em torno das decisões de política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm levado investidores a buscar alternativas de investimento em outros mercados. Esse movimento não apenas fortalece o real no Brasil, como também enfraquece o dólar em relação a outras moedas.
A decisão de bloqueio do canal no Oriente Médio também voltou a acender o alerta em relação a uma nova alta nos preços do petróleo, que atualmente oscilam em torno de US$ 100.
Especialistas destacam, ainda, que a perspectiva de um possível acordo entre os países envolvidos no conflito também tem ajudado o real a se valorizar frente ao dólar.
“O dólar iniciou a sessão em alta, mas o movimento perdeu força, acompanhando uma melhora gradual do humor externo, com sinais pontuais de possível retomada das negociações e recuperação das bolsas em Nova York”, avalia o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini.
Outros fatores, como o diferencial de juros (diferença entre a taxa básica brasileira e a americana), o maior fluxo de recursos para o Brasil e o alto patamar do petróleo, também favorecem a moeda brasileira.
“Vale lembrar que o Brasil está relativamente bem posicionado entre os países emergentes porque é um exportador líquido relevante de commodities. Isso ajuda a balança comercial brasileira e melhora as contas externas”, afirma o estrategista, ressaltando que esse cenário também favorece o real.
Movimento não é de hoje
A tendência de queda do dólar vem desde o ano passado. Por aqui, a moeda americana acumulou baixa de 11,8% frente ao real em 2025, o maior recuo em quase 10 anos: em 2016, a queda foi de 17,8%.
Nesse período, a moeda americana vinha perdendo força diante da expectativa de juros mais baixos nos EUA e do aumento das incertezas políticas no país — fatores que reduziram a atratividade do dólar e passaram a estimular investidores a buscar outras oportunidades.
Entenda os principais fatores que ajudam a explicar a queda do dólar em 2025: