Augusto Ferreira Lima, em imagem de janeiro de 2025
Reprodução/Instagram
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou facultativa a ida do banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no banco Master, à CPMI do INSS. A ida do banqueiro estava prevista para quarta-feira (11).
Pela decisão de Mendonça, Augusto Lima também tem direito:
ao silêncio, ou seja, de não responder a perguntas;
assistência por advogado durante o ato;
de não ser submetido ao compromisso de dizer a verdade ou de subscrever termos com esse conteúdo; e
de não sofrer constrangimentos físicos ou morais ao exercer os direitos anteriores.
“A decisão […] representa, na minha avaliação, mais uma interferência no trabalho do Parlamento. Decisões monocráticas como essa acabam atrasando e dificultando o trabalho do Congresso Nacional na busca de respostas ao povo brasileiro sobre as graves irregularidades investigadas na Previdência Social”, reagiu o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG).
Viana afirmou que, com a decisão de Mendonça, a reunião da comissão que ouviria Augusto Ferreira Lima foi cancelada.
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“Tenho agenda nesta quarta-feira com o ministro André Mendonça e levarei a ele, de forma respeitosa e republicana, o pedido para que essa posição seja revista. O que defendemos é o respeito ao trabalho do Congresso Nacional e o necessário reequilíbrio entre os Poderes”, escreveu em uma rede social.
Lima é controlador Banco Pleno, que teve a liquidação extrajudicial decretada em fevereiro pelo Banco Central (BC).
Lima, que também foi preso preventivamente pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, tem um histórico associado não apenas às fraudes envolvendo o Master, mas também a nomes ligados ao governo.
O banqueiro
Segundo o blog do Valdo Cruz, o banqueiro é próximo a petistas da Bahia — como o ministro Rui Costa (Casa Civil) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) — e passou a ganhar notoriedade após comprar a rede de supermercados Cesta do Povo, durante a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).
Com a compra, Lima também adquiriu o Credcesta — um cartão de benefícios voltado a servidores públicos municipais e estaduais, que começou na Bahia e depois teve sua operação expandida para todo o país em parceria com o Banco Master.
Segundo um requerimento da CPMI do INSS para a quebra de sigilo bancário de Lima, a ampliação do Credcesta transformou o cartão em um produto de crédito consignado “que se disseminou pelo país e passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras”.
Ainda segundo o documento, uma parte relevante desses créditos oferecidos a aposentados e pensionistas não foi informada às autoridades ou não possuía recursos e estrutura suficientes para operar dentro das regras.
Lima também foi CEO do Banco Master e adquiriu o controle do Banco Pleno em 2025. A autorização do Banco Central foi concedida em julho do ano passado.
Segundo o blog do Valdo Cruz, foi Augusto Lima quem procurou Ricardo Lewandowski para contratá-lo como consultor jurídico do Banco Master, com a intermediação do líder do governo, Jaques Wagner. Lima também participou da reunião de Daniel Vorcaro com o presidente Lula no fim de 2024.
CPMI do INSS: Mendonça torna facultativo depoimento do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master
CPMI do INSS: Mendonça torna facultativo depoimento do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master