Cosan pode vender participação na Raízen e holding deve ser dissolvida | G1

Cosan pode vender participação na Raízen e holding deve ser dissolvida | G1

A Cosan pode vender sua participação na Raízen, atualmente em recuperação extrajudicial, após a reestruturação financeira da empresa. A própria holding também deve ser dissolvida nos próximos anos, afirmou nesta sexta-feira (15) o CEO da companhia, Marcelo Martins.

Segundo o executivo, a fatia da Cosan na Raízen deve encolher de forma significativa porque a empresa não participará de um novo aporte de capital liderado pela Shell, sua sócia no negócio.

Além disso, credores negociam converter parte das dívidas da Raízen em ações da companhia.

Criada em 2011 como uma parceria entre Cosan e Shell, a Raízen atua nos setores de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, sendo responsável pela operação da marca Shell no Brasil, Argentina e Paraguai.

Com a reestruturação, a Cosan deve se tornar acionista minoritária da Raízen e avalia vender sua participação futuramente para gerar caixa e reduzir o endividamento do grupo.

A Raízen tenta reestruturar uma dívida de cerca de R$ 65 bilhões para evitar uma recuperação judicial.

“A nossa participação na Raízen não deve ser expressiva”, afirmou Martins durante conferência com investidores.

O CEO disse ainda que a Cosan poderá vender essa participação no futuro, embora ainda não exista definição sobre prazo ou tamanho da operação.

Dissolução da holding

Logo da Raízen — Foto: Divulgação

Martins afirmou que a Cosan também deve deixar de existir como holding em um prazo de três a cinco anos, em um processo que pode começar já em 2027.

Segundo ele, a estratégia faz parte do plano de redução do endividamento da empresa. Nesse modelo, os atuais acionistas da Cosan passariam a ter participação direta nas empresas do grupo, como Rumo e Compass. “O primeiro passo é a redução da dívida”, disse o executivo.

A dívida líquida expandida da Cosan encerrou o primeiro trimestre em R$ 11,5 bilhões, queda de 34% em relação ao mesmo período do ano passado.

A Raízen, empresa que opera os postos Shell no Brasil e atua nos setores de açúcar, etanol e energia, enfrenta uma forte crise financeira e tenta reorganizar dívidas que somam cerca de R$ 65 bilhões.

Além dos postos de combustíveis, a Raízen também atua na aviação, lojas Shell Select, aplicativo Shell Box e projetos de energia renovável.

Nos últimos anos, a companhia ampliou investimentos, mas passou a sofrer com juros altos, clima desfavorável nas safras de cana e piora nos resultados financeiros.

*Com informações da agência Reuters

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