Com queda do dólar, gastos de brasileiros no exterior batem recorde no 1º trimestre

Com queda do dólar, gastos de brasileiros no exterior batem recorde no 1º trimestre


Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 6,04 bilhões no primeiro trimestre deste ano, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (24).
Isso representa um crescimento de 21,9% na comparação com o mesmo período do ano passado, quando somaram US$ 4,96 bilhões.
Esse também é o maior valor para os três primeiros meses de um ano desde o início da série histórica do BC, em 1995.
Somente em março, as despesas lá fora totalizaram US$ 1,99 bilhão, valor que é recorde para o mês.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
➡️ O aumento de gastos no exterior acontece em um momento de queda na cotação da moeda norte-americana, o que barateia as viagens para outros países.
Passagens, despesas com hotéis e gastos com produtos e serviços no exterior, por exemplo, são influenciados ou cotados em moeda estrangeira. Com isso, quando o dólar está mais baixo, os brasileiros acabam tendo gastos menores com esses itens.
Nesta quinta (23), o dólar fechou em alta de 0,58%, cotado a R$ 5. Mesmo assim, no ano, o recuo acumulado foi de 8,85%.
A queda do dólar acontece em meio à guerra no Oriente Médio. A percepção do mercado é de que o Brasil, por ser um exportador de petróleo, se encontra em situação melhor do que outras economias e que a venda do produto contribui para o ingresso de divisas no país (valorizando o real).
Ao mesmo tempo, a economia brasileira segue registrando crescimento, apesar da desaceleração. A atividade econômica é outro fator que costuma influenciar os gastos lá fora.

Ascom CCR/Aeroportos
Contas externas
Ainda de acordo com o BC, o déficit das contas externas brasileiras recuou 10,76% no primeiro trimestre deste ano.
🔎 O termo déficit indica que as despesas foram maiores do que as receitas no período.
Segundo a instituição, a conta de transações correntes registrou saldo negativo de US$ 20,27 bilhões nos três primeiros meses deste ano, em comparação com um rombo de US$ 22,71 bilhões no mesmo período do ano passado.
O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores sobre o setor externo do país, é formado por:
balança comercial: que é o comércio de produtos entre o Brasil e outros países;
serviços: adquiridos por brasileiros no exterior; e
rendas: remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior.
O Banco Central costuma explicar que o tamanho do rombo das contas externas está relacionado com o crescimento da economia.
Quando cresce, o país demanda mais produtos do exterior e realiza mais gastos com serviços também. Com a desaceleração da economia, o déficit tende a diminuir.
Dólar atinge menor valor em dois anos em meio a tensões entre EUA e Irã
Investimentos diretos caem
O BC também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira registraram pequeno recuo no primeiro trimestre de 2026.
Os estrangeiros trouxeram US$ 21,03 bilhões em investimentos entre janeiro e março de 2026, contra US$ 23,04 bilhões no mesmo período do ano passado.
Mesmo com a queda, foram suficientes para financiar o déficit em transações correntes registrado nos dois primeiros meses deste ano.

Postagens relacionadas

Soraya Thronicke chama Frei Gilson de ‘falso profeta’ e o acusa de misoginia

MP autoriza procuradores a somarem tempo de estágio para receberem adicional de salário

Lula diz ter chamado delegados que estão ‘fingindo trabalhar’ para combater crime organizado