O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aponta que há mais de 12 mil ações penais pendentes contra integrantes de organizações criminosas no país. Além disso, o número de processos ligados a facções cresceu quase 160% nos últimos cinco anos.
As informações constam no mapa de ações sobre organizações criminosas, primeiro levantamento do CNJ sobre o tema. O relatório foi divulgado pelo presidente do órgão, ministro Edson Fachin, durante evento em Brasília, nesta segunda-feira (23).
PF faz operação com forças de segurança de 15 estados para combater facções criminosas
Durante o evento, Fachin afirmou que o crime organizado, com seu crescimento e reconfigurações nos últimos anos, vem se tornando uma ameaça ao Estado Democrático de Direito.
“Ele corrói as instituições, captura mercados lícitos, financia a violência, instrumentaliza o sistema financeiro para a lavagem de seus produtos e, no limite, disputa com o Estado o monopólio do uso da força em territórios que, abandonados pelo Poder Público, tornaram-se vulneráveis”, afirmou o ministro.
“Essa realidade reinante gera imensa preocupação e incerteza. É direito fundamental do cidadão viver sem medo e opressão, onde possa exercer o direito de locomoção e de manifestação do pensamento. Não há Estado de Direito em localidades dominadas por facções”, prosseguiu.
O ministro ainda destacou o importante papel do judiciário nesse contexto, que, segundo Fachin, “não é periférico”. Ele destacou três atribuições relevantes dos profissionais do direito:
contribuir para o aprimoramento da aplicação da legislação penal em integração com os demais Poderes;
colaborar na elaboração de estratégias e metas para alcançar os objetivos da política nacional de segurança pública estabelecida pela lei; e
participar do processo de avaliação das políticas de segurança pública.
Fachin reforçou que, sem um judiciário eficiente, há inúmeros prejuízo: “a investigação não se completa, a condenação não se sustenta, e a recuperação de ativos não se consolida”.
O ministro destacou ainda a importância da colaboração entre os poderes no combate ao crime organizado. Nesse sentido, Fachin afirmou que o judiciário não pode ser uma “ilha”.
O que diz o relatório
O painel reúne dados sobre o combate ao crime organizado. São exemplos:
12.448 ações penais de organização criminosa estavam pendentes até o fim do ano passado;
em 2025, foram abertas 3.027 novas ações penais sobre o tema;
outros 1.661 processos foram arquivados;
nos últimos cinco anos houve um aumento de quase 160% no número de ações penais envolvendo organizações criminosas: de 2.607 em 2020 o dado cresceu para 6.761 em 2025.
Ministro Edson Fachin, do STF
Luiz Silveira/STF
CNJ aponta que há mais de 12 mil ações contra organizações criminosas pendentes na Justiça
CNJ aponta que há mais de 12 mil ações contra organizações criminosas pendentes na Justiça