Caso Master-BRB: saiba como checar no Banco Central se há dívidas indevidas em seu nome | G1

Caso Master-BRB: saiba como checar no Banco Central se há dívidas indevidas em seu nome | G1

Os clientes perceberam a situação ao consultar o Registrato, sistema do BC que permite acessar relatórios com informações pessoais ou de empresas. Esses documentos reúnem dados que bancos e instituições financeiras compartilham com o Banco Central.

O BC já vinha acompanhando indícios de irregularidades na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB. Entre os indícios de fraudes está a ausência de transferências bancárias comprovando que as pessoas de fato pegaram o empréstimo.

Nesta reportagem, o g1 te explica mais sobre o caso e mostra como consultar seu nome. Veja abaixo:

Por que essas dívidas apareceram?

Segundo o BRB, após a liquidação do Will Bank, o banco “deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre o repasse e a quitação das operações de crédito cedidas”.

O banco também afirmou que, pelas regras, a instituição que concedeu os empréstimos ou serviços é responsável por acompanhar os pagamentos e repassar os valores correspondentes ao BRB.

“Após a liquidação, esse fluxo não foi retomado ainda pelo liquidante, de modo que o BRB ainda não dispõe de informações suficientes para a baixa das operações. Por essa razão, alguns contratos apareceram como ativos ou inadimplentes no Sistema de Informações de Créditos (SCR), mesmo já tendo sido pagos no banco de origem”, informou o BRB em nota.

Veja a nota do BRB na íntegra ao final desta reportagem. O g1 tentou contato com Eduardo Bianchini, liquidante nomeado pelo Banco Central para o Will Bank e o Banco Master, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Relembre a tentativa do BRB de comprar do Banco Master:

Como os contratos do Will Bank e do Master foram parar no BRB?

Após a liquidação extrajudicial do Master, uma operação da Polícia Federal passou a investigar um suposto esquema de fraudes bilionárias do banco de Daniel Vorcaro, em que o BRB teria comprado R$ 12 bilhões em carteiras de crédito de baixa qualidade, pertencentes ao Master e sem garantia financeira.

É daí que, supostamente, teriam surgido os dados dos clientes que estão sendo notificados pelo BRB sobre essas dívidas.

Infográfico – Clientes do Master e do Will Bank afirmam que o BRB registrou dívidas quitadas ou inexistentes no BC — Foto: Arte/g1

Como saber se eu fui afetado?

Qualquer pessoa pode acessar o Registrato do Banco Central usando o CPF para consultar suas informações financeiras.

Pelo sistema, é possível saber quais empréstimos existem em seu nome, em quais bancos você tem conta, quais chaves PIX estão cadastradas, além de registros de cheques sem fundos e de operações de compra ou venda de moeda estrangeira feitas em seu nome.

Além disso, é possível verificar se você tem valores a receber e acompanhar pedidos de informação, reclamações e registros feitos nas ouvidorias do Banco Central.

Empresas também podem acessar as informações vinculadas ao seu CNPJ.

Como faço para acessar o Registrato?

Para acessar o sistema e fazer a consulta, é preciso entrar com uma conta gov.br de nível prata ou ouro, com a verificação em duas etapas ativada. Não é possível acessar o Registrato sem uma conta gov.br.

A conta gov.br precisa estar em níveis mais altos porque eles indicam que a identidade do usuário foi verificada com mais segurança — e o Registrato reúne dados financeiros sigilosos.

  1. Faça login no sistema com a conta gov.br com a verificação em duas etapas habilitadas;
  2. Clique na opção “Empréstimos e Financiamentos (SCR)”;
  3. Selecione a opção “Solicitar novo relatório”;
  4. Escolha a opção para visualizar o relatório resumido, baixar o documento ou recebê-lo por email;
  5. O documento contará com todas as informações de dívidas abertas ou vencidas contratados.

Tenho uma dívida indevida ou inexistente registrada no meu nome, e agora?

De acordo com especialistas consultados pelo g1, a orientação é que o consumidor entre em contato com a instituição e solicite, por escrito, o contrato, o valor atualizado, quem está fazendo a cobrança e de qual banco veio a dívida.

“Se não há contrato, trata-se de uma cobrança indevida. Nesses casos, o consumidor deve formalizar a reclamação junto à instituição, gerar um protocolo e exigir a interrupção da cobrança”, diz Pedro Ramunno, professor de direito empresarial do Mackenzie.

Se a situação não for resolvida, o ideal é que o consumidor registre reclamações em órgãos competentes — como Procon e Consumidor.gov — e, se necessário, avalie recorrer à Justiça.

“Pode ser que a situação seja regularizada com o tempo, mas isso pode demorar ou nem acontecer. Nesses casos, o consumidor pode ter que recorrer à Justiça, seja por meio do Juizado Especial ou da Justiça comum”, completa Gustavo Kloh, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Direito do Rio de Janeiro.

Veja a nota do BRB na íntegra

O BRB informa que, após a liquidação do Will Bank, deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre o repasse e a quitação das operações de crédito cedidas. Pelas regras contratuais, o banco que originou os créditos deve acompanhar os pagamentos e, na sequência, fazer o envio dos dados e dos valores correspondentes ao BRB.

Após a liquidação, esse fluxo não foi retomado ainda pelo liquidante de modo que o Banco ainda não dispõe de informações suficientes para a baixa das operações. Por essa razão, alguns contratos apareceram como ativos ou inadimplentes no Sistema de Informações de Créditos (SCR), mesmo já tendo sido pagos no banco de origem.

O BRB realizou conciliações internas e encaminhou comunicados ao liquidante solicitando a retomada do processo, por parte dele. O Banco destaca, ainda, que a compra das carteiras seguiu todas as regras e contratos, e lembra que toda operação de crédito é registrada no SCR.

O Banco segue atuando junto ao liquidante para normalizar a situação, tomando medidas internas e está preparado para realizar a correção imediata dos dados assim que houver retorno do administrador do banco em liquidação.

Seguimos acompanhando o tema de perto e cobrando os responsáveis pelo envio das informações para que a normalização ocorra no menor prazo possível.

Banco Central do Brasil (BC) — Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Postagens relacionadas

TCU pauta alerta ao Senado sobre indicação à CVM | G1

Fenômeno da IA agora assusta investidores?

O dilema de Milei: como negociar com a China sem desagradar a Trump? | G1