Café: produção limitada e tarifaço dos EUA impactam preços

Café: produção limitada e tarifaço dos EUA impactam preços

O término da safra demonstrou, segundo o Centro de Estudos, volume limitado e restrições no beneficiamento na produção da commodity. Além disso, as imposições tarifárias dos EUA, um dos principais destino das exportações do grão, também provocam variações de preços.

📈A colheita da safra do café, tipo robusta, já se encerrou e as cotações se mantém em alta. De acordo com levantamento do Centro de Estudos, o indicador Cepea/Esalq para o grão registrou aumento de 43% na medição parcial de agosto, até está última segunda-feira (25), na praça de Espírito Santo.

☕A saca do café robusta de 60 quilos fechou em R$ 1.469,43 no último dia 25 de agosto.

Para o café arábica, as atividades de campo estão praticamente finalizadas, e as cotações também registram avanços significativos, de acordo com o Centro de Pesquisas.

O Indicador Cepea/Esaq do café arábica no posto na capital paulista subiu 26,3% em agosto e a saca com 0 quilos fechou a R$ 2.287,56.

“Pesquisadores explicam que o impulso vem sobretudo do estoque bastante ajustado. Ressaltam que o término da colheita evidenciou perdas no beneficiamento e o limitado volume de produção no Brasil”, aponta o Cepea.

Além disso, o tarifaço dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras de café segue trazendo volatilidade ao mercado nacional, ainda conforme o Cepea.

Redirecionamento de mercados

Em análise feita pelo Cepea no fim de julho, o centro de estudos indicou que o Brasil pode ser forçado a redirecionar parte da produção nacional a outros mercados.

Quem se deu bem e quem se deu mal entre as exceções do tarifaço de 50% de Trump

“O que exige agilidade logística e estratégia comercial para mitigar os prejuízos à cadeia produtiva nacional”, aponta.

Café, carne bovina e frutas frescas ainda estão entre os itens mais expostos à medida de Trump.

“Diante da representatividade do Brasil nas importações de café dos EUA, o Cepea avalia que a eventual entrada em vigor da tarifa tende a impactar não apenas a competitividade do café nacional, mas também os preços ao consumidor norte-americano e a formulação dos blends tradicionais, que utilizam os grãos brasileiros como base sensorial e de equilíbrio”, aponta o Cepea.

📈Alguns setores brasileiros conseguiram escapar da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, enquanto outros foram diretamente atingidos pela medida, como é caso da carne bovina, café e frutas.

Os pesquisadores do Cepea apontam ainda que preços domésticos do café têm acompanhado os movimentos das Bolsas de Nova York e Londres, com oscilações associadas à atuação especulativa de fundos.

“Isso que vêm ampliando suas posições compradas diante da possibilidade de aumento das cotações, caso a tarifa entre em vigor”, aponta o Centro de Estudos da Esalq-USP.

“Até o momento, não indícios claros de que os valores internos estejam recuando exclusivamente em função da medida tarifária”, aponta o Cepea.

Taxação do café brasileiro pelos EUA preocupa produtores — Foto: Reprodução EPTV

Embarques 🛳️

Em 2024, o Brasil respondeu por aproximadamente 23% do total comprado pelos EUA, em valores monetários, de acordo com estatísticas da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC, na sigla em inglês).

A Colômbia representou cerca de 17% do total das importações norte-americanas, enquanto o Vietnã contribuiu com aproximadamente 4%.

Arábica e robusta ☕

Pesquisadores lembram, ainda, que, no segmento do café arábica, em que o Brasil também lidera os embarques aos EUA, a Colômbia, principal concorrente, permanece isenta da nova tarifação.

Quanto ao robusta, o Vietnã negocia a aplicação de uma alíquota reduzida de 20%, frente aos 46% inicialmente previstos.

Mercado do café analisa possível impacto do ‘tarifaço’ de Trump para a produção no Sul de Minas — Foto: Reprodução EPTV

☕Café: o impacto no setor cafeeiro é estrutural, alerta o Cepea.

“Como os EUA não produzem café, a elevação do custo de importação compromete diretamente a viabilidade econômica da cadeia interna, que envolve torrefadoras, cafeterias, indústrias de bebidas e redes de varejo”, analisa.

“A exclusão do café do pacote tarifário é não apenas desejável, mas estratégica, tanto para a sustentabilidade da cafeicultura brasileira quanto para a estabilidade da cadeia de abastecimento norte-americana”, destaca Renato Ribeiro, pesquisador de café do Cepea.

No curto prazo, apesar de a safra 2024/25 ter assegurado boa capitalização aos produtores, a comercialização da safra 2025/26 avança lentamente, apontam pesquisadores do Cepea.

Com a queda nas cotações e a instabilidade externa, os produtores têm vendido volumes mínimos para manter o fluxo de caixa, postergando negociações maiores à espera de definições sobre o cenário tarifário.

Persistem também incertezas quanto às importações brasileiras de frutas frescas, tanto em volume quanto em origem, frente à nova conjuntura global.

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Infográfico – Lista de isenções ao tarifaço de Trump — Foto: Arte/g1

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