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Aumento de Diagnósticos de Autismo em Adultos: Especialistas Alertam para Impactos e Direitos
→ Nos últimos anos, o Brasil tem registrado um crescimento exponencial na identificação do Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente em níveis leves e na vida adulta. De acordo com dados do IBGE, cerca de 2,4 milhões de brasileiros já possuem o diagnóstico. Este fenômeno, embora reflita uma maior conscientização, acende um alerta sobre as consequências de uma vida inteira sem suporte adequado.
O Peso do Diagnóstico Tardio
Para muitos adultos, a descoberta do TEA chega após décadas de “exaustão social”. Segundo a Dra. Ana Márcia Guimarães, pediatra e especialista em desenvolvimento atípico que atua no Órion Complex, em Goiânia, a ausência de um diagnóstico precoce força o indivíduo a se adaptar a regras sociais implícitas sem compreender seu próprio funcionamento biológico.
“A pessoa passa anos tentando se adaptar, o que gera sofrimento acumulado e pode levar a comorbidades graves, como ansiedade, depressão e um risco de suicídio até três vezes maior”, explica a médica.
A especialista ressalta que, embora o ideal seja a intervenção nos primeiros anos de vida para garantir qualidade de vida, o diagnóstico tardio oferece um alívio psicológico, permitindo que o adulto ressignifique sua trajetória e compreenda que suas dificuldades não eram falhas de caráter, mas características neurológicas.
Estatísticas e Perigos do Autodiagnóstico
Os dados do Censo revelam que a prevalência é maior entre homens até os 44 anos. Já entre as mulheres, o diagnóstico ganha força na faixa dos 50 aos 69 anos.
Apesar da facilidade de acesso à informação na internet, a Dra. Ana Márcia adverte: o autodiagnóstico não substitui a avaliação clínica. O TEA pode ser facilmente confundido com Transtorno de Ansiedade Social ou TDAH, tornando indispensável o laudo profissional para garantir que as ferramentas de adaptação sejam aplicadas corretamente.
Nova Legislação e Garantia de Direitos
O cenário jurídico também evoluiu para acolher essa demanda. Desde novembro de 2025, a Lei 15.256 atualizou a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA, incentivando especificamente o diagnóstico em adultos e idosos.
Além do suporte clínico, o diagnóstico abre portas para direitos previdenciários. O advogado Jefferson Maleski destaca que muitos desconhecem o acesso a benefícios como o BPC (Benefício de Prestação Continuada) ou auxílios por incapacidade, dependendo do grau de limitação. “O maior entrave atual não é a falta de leis, mas a desinformação que impede o acesso aos direitos já garantidos”, afirma o jurista.
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Fonte: COMUNICAÇÃO SEM FRONTEIRAS
Raquel Pinho e equipe
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