Após adiamentos, CPMI do INSS agenda depoimento de Daniel Vorcaro para dia 23 de fevereiro

Após adiamentos, CPMI do INSS agenda depoimento de Daniel Vorcaro para dia 23 de fevereiro


A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS agendou para a próxima segunda-feira (23) o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à comissão.
O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o vice-presidente da CPMI, deputado Duarte Jr. (PSB-MA), informaram a nova data em suas redes sociais nesta quarta (18), após uma reunião. 
A convocação do ex-proprietário do Banco Master – instituição liquidada em novembro pelo Banco Central – foi aprovada no fim de janeiro pela comissão.
Vorcaro seria ouvido no dia 5 de fevereiro, mas teve o depoimento adiado duas vezes – primeiro para 19 de fevereiro e depois para 26 de fevereiro. Agora, o depoimento foi marcado para o dia 23.
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Desde a convocação, a previsão é que Vorcaro seja ouvido pela comissão para tratar apenas de questões relacionadas a empréstimos consignados do Master.
Segundo Viana, 250 mil contratos de empréstimos consignados do Banco Master foram suspensos pelo INSS diante de “falta de comprovação da documentação”.
“Ele [Vorcaro] terá de explicar como o Banco Master adquiriu esses contratos e, se tantas pessoas não tinham comprovação dos documentos, como os descontos ocorreram sem autorização”, disse o parlamentar em janeiro.
Viana também afirmou que a CPMI questionará Vorcaro sobre quais medidas foram tomadas para devolver o dinheiro aos clientes prejudicados.
O caso Master está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As operações do banco são investigadas por conta de registros de vendas de carteiras de créditos falsas.
A instituição operava, antes, sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Foto de 23 de janeiro de 2026 mostra que a sede do Banco Master, no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, foi cercada por tapumes e o logo da instituição financeira foi coberto
Amanda Perobelli/Reuters
Outra comissão
Além da CPMI do INSS, que só vai focar na questão dos consignados, outra comissão, a de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado busca fiscalizar as ações relativas ao Master.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que lidera o grupo, afirmou nesta quarta ao g1 que está confirmado depoimento de Daniel Vorcaro na CAE na próxima terça (24), ou seja, um dia após o banqueiro falar à CPMI do INSS.
Na terça-feira (10) da semana passada, o grupo de trabalho aprovou convites a Vorcaro e a representantes de órgãos que apuram as irregularidades, como Banco Central e a Polícia Federal.
Em ano de eleição, parlamentares buscam visibilidade após repercussão grande do caso.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Banco Master
Há ainda pedidos de abertura de CPIs para investigar especialmente no Congresso as operações do Banco Master. Mas não há indícios de que esses requerimentos vão prosperar.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), por exemplo, afirmou que esses pedidos vão entrar em uma fila que tem outras 15 solicitações na frente.
Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após ser questionado por jornalistas no início do mês, não quis responder sobre o tema.
Reclamações contra o Master
Em novembro, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) enviou um documento à CPMI do INSS elencando a quantidade de reclamações registradas contra instituições financeiras em função de crédito consignado.
🔍 Crédito consignado é um empréstimo cujas parcelas são descontadas diretamente do salário ou benefício de quem o solicitou.
De acordo com os dados, o Banco Master aparece como a 21ª instituição financeira com mais reclamações na Senacon entre 2019 e 2025. Ao todo, foram registradas 5.665.
O banco de Vorcaro não registrou reclamações em 2019 e fechou o ano seguinte com 11. Em 2021, sofreu 76 reclamações e já em 2023 superou a barreira dos mil apontamentos, registrando 1.511.
No ano passado, o banco Master registrou a maior quantidade de reclamações dos últimos anos, foram 2.472. Isso colocou o banco no oitavo lugar, considerando contestações sobre o consignado em 2025.
Com isso, no ano passado, o Master conseguiu ficar à frente de grandes instituições, como a Caixa Econômica Federal (2.012 reclamações), Banco do Brasil (1.992 casos) e o BRB (721 reclamações).

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