Anvisa forma maioria para liberar cultivo e amplia acesso ao uso de cannabis medicinal no Brasil; veja o que muda

Anvisa forma maioria para liberar cultivo e amplia acesso ao uso de cannabis medicinal no Brasil; veja o que muda


A Anvisa vai votar proposta que regulamenta a produção de cannabis medicinal no Brasil
Jornal Nacional/ Reprodução
A Anvisa formou maioria nesta quarta-feira (28) para aprovar uma resolução com regras restritas que permite o cultivo da cannabis medicinal no Brasil. Mais cedo, já havia ampliado as possibilidades de uso de terapias à base de cannabis no país.
Até as 15h30, quatro diretores votaram a favor das regras que permitem o cultivo. No horário, estava pendente apenas o voto do diretor-presidente, Leandro Pinheiro Safatle.
A regra, que já tem maioria favorável à implementação, permite que a planta seja produzida no país exclusivamente para abastecer a fabricação de medicamentos e outros produtos regulados pela agência. A produção deverá ser restrita ao teor de THC de até 0,3%, substância não psicotrópica, conforme estabelecido pela Justiça.
A mudança na regra segue um pedido Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em novembro de 2024, o tribunal determinou que a Anvisa regulamentasse o cultivo da planta, desde que exclusivamente para fins medicinais e farmacológicos.
Ampliação do uso
A nova regra também autoriza a venda do fitofármaco canabidiol em farmácias de manipulação. O texto permite a comercialização de medicamentos para uso bucal, sublingual e dermatológico. Antes, apenas fármacos de uso oral e inalatório podiam ser registrados pela agência.
Entre os pontos principais também está uma mudança que amplia o perfil dos pacientes que podem usar os medicamentos à base de cannabis com concentração de THC (tetrahidrocanabinol) acima de 0,2%.
➡️ Antes da resolução, só pacientes em cuidados paliativos ou com condições clínicas irreversíveis ou terminais podiam usar produtos acima desse índice. Agora, pacientes com doenças debilitantes graves também vão poder usar.
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A agência ainda deu aval para importação da planta ou do extrato da Cannabis para a fabricação de medicamentos.
Abaixo, entenda como era o cenário e como fica com a mudança.
Publicidade
Como era
A publicidade de produtos à base de cannabis era vedada.
Como fica
A publicidade passa a ser permitida exclusivamente para os médicos (citados na norma como profissionais prescritores), restrita às informações de rotulagem e ao folheto informativo previamente aprovados pela Anvisa.
Acesso
Como era
Até agora, apenas pacientes em cuidados paliativos ou com condições clínicas irreversíveis ou terminais podiam utilizar medicamentos à base de cannabis com concentração de THC (tetrahidrocanabinol) acima de 0,2%.
Como fica
Com a nova regra, o uso desses medicamentos passa a ser permitido também para pacientes com doenças debilitantes graves, ampliando o acesso a terapias com maior concentração da substância.
Vias de administração
Como era
Até agora, a regulamentação brasileira permitia o uso de produtos à base de cannabis apenas por duas vias de administração: oral e nasal, conforme previa a RDC nº 327, de 2019.
Como fica agora
Com a revisão da norma aprovada pela Anvisa, o número de vias permitidas foi ampliado com base em evidências científicas analisadas durante o processo de Análise de Impacto Regulatório (AIR).
Passam a ser incluídas:
via dermatológica, considerada de menor risco por reduzir a exposição sistêmica dos canabinoides;
vias sublingual e bucal, que evitam o metabolismo de primeira passagem pelo fígado e podem aumentar a biodisponibilidade das substâncias.
Além disso, houve um ajuste técnico de nomenclatura: a chamada via nasal foi substituída pela via inalatória, em alinhamento com o vocabulário regulatório adotado pela Anvisa.
Manipulação
Agora, vai poder ser feita a manipulação com prescrição individual de produtos à base de cannabis.
Uso recreativo
Nesse ponto, não houve mudança. O uso da cannabis segue permitido apenas para fins medicinais, dentro das regras sanitárias estabelecidas.
Anvisa analisa produção de cannabis medicinal

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