ANP autoriza Petrobras a retomar perfuração na Foz do Amazonas | G1

ANP autoriza Petrobras a retomar perfuração na Foz do Amazonas | G1

“Considerando as análises técnicas realizadas e as medidas mitigadoras propostas pela Petrobras, concluiu-se não haver óbice [empecilho] ao retorno das atividades de perfuração no referido poço, a partir do recebimento deste ofício”, disse a ANP.

A agência, contudo, afirmou que a Petrobras foi notificada de que a retomada deverá seguir alguns condicionantes, como a troca de todos os elementos de vedação usados nas conexões da tubulação por onde passam os fluidos e treinamento de todos os trabalhadores envolvidos no procedimento.

Veja os vídeos em alta no g1

Veja os vídeos que estão em alta no g1

Entenda o que aconteceu

A Petrobras havia interrompido, em 6 de janeiro, a perfuração na na Foz do Amazonas após identificar a perda de fluido em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que ligam o navio-sonda ao poço Morpho. O local está a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá.

Segundo a estatal, o vazamento, identificado no domingo (4 de janeiro), foi imediatamente contido e isolado. A operação foi interrompida para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas. O Ibama informou que já foi comunicado sobre o caso e que não houve vazamento de petróleo.

  • 🔎 O material liberado foi o fluido de perfuração, conhecido como “lama”. Ele é usado para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Trata-se de um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, comum em perfurações no mar.

Infográfico mostra local de vazamento que fez Petrobras interromper perfuração na Foz do Amazonas. — Foto: Arte/g1

Em nota divulgada na época, a companhia afirmou ainda que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. Acrescentou que o fluido “atende aos limites de toxicidade permitidos” e é biodegradável, sem risco ao meio ambiente ou à população.

Exploração da Foz do Amazonas

A perfuração pela estatal começou imediatamente após o aval do Ibama. A previsão é que a exploração dure cerca de cinco meses. Os efeitos concretos da iniciativa, portanto, só poderão ser observados após esse período.

  • 🔎 Nesta fase, não há produção de petróleo: trata-se exclusivamente de pesquisa exploratória. Apesar disso, a etapa é vista como uma derrota para aqueles que são contra a exploração na região.

Segundo a Petrobras, o processo prevê a coleta de dados geológicos para verificar a presença de petróleo e gás em escala comercial.

A perfuração é realizada no bloco FZA-M-059, localizado em mar aberto, a cerca de 175 km da costa do Amapá e 500 km da foz do Rio Amazonas, em uma área de águas profundas.

A área está localizada no extremo oeste da Margem Equatorial brasileira e tem cerca de 268 mil km², de acordo com a petroleira. A extensão abrange a plataforma continental, o talude e a região de águas profundas, até o limite entre as crostas continental e oceânica.

A Margem Equatorial é vista como uma das novas fronteiras de exploração de petróleo e gás no Brasil, com potencial para se tornar um novo “pré-sal”, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME).

Potencial exploratório

O governo estima que a Margem Equatorial teria reservas que permitiriam explorar 1,1 milhão de barris de petróleo diariamente. É mais do que a capacidade dos dois principais campos da Bacia de Santos: Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia, e Búzios, que ultrapassou os 900 mil.

Segundo o MME, com isso, seria possível retirar até 10 bilhões de barris de petróleo da região. Atualmente, o Brasil tem uma reserva comprovada de 16,8 bilhões de barris — o que seria suficiente para manter o país sem precisar comprar petróleo de outros países até 2030.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas possui um volume recuperável de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente. A estimativa faz parte de um estudo que compõe um projeto dedicado à análise das bacias sedimentares brasileiras.

Fachada do prédio da Petrobras, no Centro do Rio — Foto: Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo

Postagens relacionadas

Não existe imposto único de 44% sobre aluguéis | G1

Uso de chapéu no campo não foi proibido; veja o que diz a lei | G1

Nike é investigada por suposta