Aneurisma cerebral: entenda o que causou o coma da sambista Adriana Araújo

Aneurisma cerebral: entenda o que causou o coma da sambista Adriana Araújo


Aneurisma cerebral: entenda o que causou o coma da sambista Adriana Araújo
Camila Falabela / Adobe Stock
A sambista mineira Adriana Araújo, de 49 anos, sofreu um aneurisma cerebral no sábado (28), em Belo Horizonte, e morreu nesta segunda-feira (2). A artista chegou a entrar em coma e ser entubada no fim de semana.
De acordo com a assessoria da cantora, Adriana passou mal em casa na noite de sábado, desmaiou e foi levada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Em seguida, foi transferida para o Hospital Odilon Behrens, onde recebeu o diagnóstico de aneurisma cerebral com hemorragia de grande extensão.
Considerada um dos principais nomes do samba mineiro, a artista segue internada sob cuidados intensivos.
Ao g1, o empresário da artista informou que ela tinha pressão alta, um dos fatores de risco para o aneurisma.
O que é aneurisma cerebral?
Um aneurisma é uma dilatação localizada na parede de uma artéria. Essa dilatação estica a parede do vaso, deixando-a enfraquecida e formando uma espécie de bolsa, que pode se romper a qualquer momento.
No cérebro, esses pontos frágeis costumam surgir nas bifurcações das artérias, segundo o neurocirurgião Helder Picarelli, pós-doutor pela Universidade de São Paulo (USP). Muitas vezes, o aneurisma não provoca sintomas até que ocorra a ruptura.
Quando o aneurisma se rompe, o sangue extravasa da artéria e invade áreas onde não deveria estar. No cérebro, isso provoca uma hemorragia subaracnóidea, quadro grave que exige atendimento imediato.
Exemplos de aneurisma cerebral
Romilto Pacheco/Arquivo Pessoal
Picarelli explica que o sangue fora dos vasos é tóxico: ele irrita e inflama o tecido, provoca aumento da pressão intracraniana e pode desencadear vasoespasmo, que é o estreitamento de outras artérias, reduzindo a circulação de oxigênio para o cérebro.
Esses efeitos podem causar morte imediata ou sequelas graves. Em outros locais do corpo, como na aorta, a ruptura costuma levar a uma hemorragia maciça, muitas vezes fulminante.
Mas nem todo aneurisma exige cirurgia. Muitos permanecem pequenos e estáveis durante toda a vida. Quando não há risco de ruptura, o paciente pode conviver com o aneurisma, desde que mantenha acompanhamento periódico por imagem e controle rigoroso da pressão arterial, segundo o médico.
A decisão de intervir depende do tamanho, da forma e da localização. Em alguns casos, a conduta mais segura é apenas observar. Viver com um aneurisma é possível, desde que haja vigilância médica adequada, acrescenta o chefe da equipe de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital Santa Catarina, Carlos Alberto Costa.
É possível ter um aneurisma por anos sem saber?
Sim. Segundo o neurologista especialista em aneurisma Ricardo Wainberg, na maioria das vezes, o aneurisma não causa sintomas antes de romper e causar uma hemorragia.
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Mulheres em maior risco
O aneurisma cerebral afeta de 3% a 5% da população mundial e é mais comum a partir da quinta década de vida. A maioria nunca se rompe, mas, quando isso ocorre, a letalidade pode chegar a 60%.
As mulheres estão em maior risco, de acordo com o neurocirurgião Feres Chaddad, chefe da Neurocirurgia Vascular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Elas têm até 60% mais chances de desenvolver aneurisma cerebral e 1,4 vez mais risco de ruptura em comparação aos homens.
Tipos e locais onde o aneurisma pode aparecer
Aneurismas podem surgir em diferentes artérias do corpo, como:
Aorta abdominal: mais comum, ligado a fatores como tabagismo, hipertensão e envelhecimento;
Aorta torácica: menos frequente, mas muitas vezes associada a doenças genéticas, como a síndrome de Marfan;
Ilíacas: nas artérias que levam sangue para as pernas;
Viscerais: em vasos do intestino, rins, fígado e baço;
Esplênico: no baço, mais observado em gestantes;
Poplíteo e femoral: nas pernas, atrás do joelho ou na coxa.
Na maioria das vezes, esses aneurismas não causam sintomas até atingirem dimensões maiores ou serem descobertos em exames de rotina. “Em alguns casos, pode haver dor localizada ou sensação de pulsação, mas na grande parte o diagnóstico é incidental”, explica Costa.
O risco de complicações aumenta conforme o aneurisma cresce. Por isso, os médicos avaliam o diâmetro e o histórico clínico para decidir se é necessário apenas acompanhar ou indicar tratamento cirúrgico ou endovascular.
Causas: genética e fatores adquiridos
As causas do aneurisma podem ser genéticas oi adquiridas ao longo da vida, por degeneração da parede arterial causada por hipertensão, tabagismo, aterosclerose e colesterol elevado.
Há também aneurismas provocados por trauma ou procedimentos médicos invasivos, chamados de pseudoaneurismas. “Quem tem parentes de primeiro grau com aneurisma deve investigar mesmo sem sintomas”, reforça o cirurgião.
Sintomas discretos que merecem investigação
Na maioria das vezes, o aneurisma é silencioso, mas uma dor de cabeça de início súbito, lancinante e inusitada é o principal sinal de alarme, segundo Wainberg.
Em casos menos comuns, um sintoma neurológico focal pode aparecer no exame físico em decorrência do aumento súbito do aneurisma, ou de um sangramento entre as camadas da parede do aneurisma, causando a compressão de um nervo. O mais comum é o nervo oculomotor, causando visão dupla, dificuldade de abrir o olho e aumento da pupila em um dos olhos.
“Uma dor de início mais recente (dias, meses) localizada, de caráter pulsátil, em população de maior risco, merece uma investigação”, acrescenta o médico.
Sintomas de rompimento
Entre os sintomas de rompimento de um aneurisma estão:
No cérebro: dor de cabeça súbita e muito intensa (“a pior da vida”), acompanhada de náusea, vômito, rigidez no pescoço, confusão mental ou perda de consciência.
Na aorta abdominal: dor abdominal ou lombar forte, pulsação na barriga.
Na aorta torácica: dor no peito, nas costas ou falta de ar.
Em regiões periféricas: inchaço ou massa pulsátil em braços ou pernas.
Nem todos causam sintomas antes da ruptura. Por isso, muitos são descobertos em exames de rotina.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico do aneurisma é feito por exames de imagem, como angiotomografia ou ressonância magnética.
O risco de ruptura depende também da forma:
Os fusiformes dilatam toda a artéria e tendem a ser mais estáveis.
Já os saculares, em formato de saco, são mais instáveis e precisam de maior atenção
Quando há indicação de intervenção, o objetivo é excluir o aneurisma da circulação. Isso pode ser feito por:
cirurgia aberta, com clipagem ou substituição da parte da artéria;
procedimentos endovasculares, em que molas ou stents reforçam a parede do vaso.
Como prevenir
Nem todo aneurisma pode ser prevenido, mas os fatores de risco podem ser controlados. Os especialistas recomendam:
manter a pressão arterial sob controle;
evitar tabagismo, drogas e excesso de álcool;
adotar alimentação saudável e praticar atividade física regular;
investigar antecedentes familiares.
Rins policísticos e algumas doenças do tecido conjuntivo também são considerados fatores de risco.

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