O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou a aliados que não pautará o projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado na semana passada, considerado uma bomba fiscal pelo governo.
A equipe econômica do governo divulgou uma estimativa de que o impacto seria de R$ 140 bilhões em 13 anos. O dado, contudo, é contestado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que estima os custos em R$ 65 bilhões no mesmo período.
Em conversas com interlocutores, Motta disse que a medida é “impagável”, que as pautas de socorro ao agronegócio “precisam ter um limite” e que não é possível aprovar tudo o que a bancada ruralista deseja.
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O projeto cria uma linha especial de crédito rural para a renegociação de dívidas dos produtores. Quando passou na Câmara dos Deputados, no ano passado, a proposta era restrita aos agricultores do Rio Grande do Sul, devido aos impactos causados pelas enchentes e estiagens no estado.
Na votação dos deputados, houve uma tentativa da bancada ruralista de ampliar a medida também para estados do Nordeste. Apesar de ser da Paraíba, Motta segurou a tentativa por entender que o impacto fiscal seria alto.
Antes da aprovação do projeto pelos senadores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), chegou a ligar para Motta e perguntar se o presidente da Câmara pautaria a medida na outra Casa. Segundo relatos de aliados do deputado, Motta teria dito que não conhecia o texto do Senado e que não se comprometia em votá-lo.
Pronunciamento do presidente da Câmara dos Deputados. Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
Marina Ramos / Câmara dos Deputados
Mesmo com apelo do governo para não pautar o projeto, Alcolumbre incluiu o item na pauta de votações do Senado.
A interlocutores, Motta também tem se demonstrado incomodado com o fato de que o desgaste entre o presidente Lula e Alcolumbre, causado pela rejeição de Jorge Messias à vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), esteja influenciando nas votações do Congresso.
O presidente da Câmara defendeu a aliados uma reconciliação entre governo Alcolumbre e disse que “o presidente da República não pode ficar sem falar com o presidente do Congresso”.
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