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O relacionamento entre o presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, tem sido marcado por tensão pública e ataques verbais do chefe do Executivo, que colocaram em xeque a independência do órgão equivalente ao Banco Central dos Estados Unidos.
Powell tentou manter a impesoalidade e a frieza que sempre foi valorizada pelo mercado e guiava esta relação com representantes anteriores. Mas, no final, acusou o governo de usar um investigação sobre gastos com reformas de um edifício. como “pretexto” para intimidação política.
Desde 2025, Trump pressiona Powell a cortar as taxas de juros de forma agressiva, enquanto o chefe do Fed mantém a independência da instituição e prioriza o controle da inflação.
A seguir, os principais episódios dessa disputa, organizados cronologicamente:
Primeiro semestre de 2025: pressões iniciais e encontros
Trump criticou a decisão do Fed de manter os juros estáveis e afirmou que a instituição estaria “muito melhor se cortasse as taxas”.
No chamado “Dia da Libertação”, defendeu que juros menores ajudariam a economia a lidar com novas tarifas de importação.
Resposta de Powell: Ressaltou que decisões sobre a política monetária dependeriam apenas de dados econômicos e reafirmou em comunicado que o Fed age “conforme determina a lei… isento de influência política”.
Resposta de Powell: Em audiência no Congresso, ignorou os ataques pessoais e disse que “não precisamos ter pressa” para reduzir os juros devido à incerteza inflacionária.
Segundo semestre de 2025: escalada verbal
Trump chamou Powell de “estúpido” e “cabeça oca”, afirmando que a política monetária estava “prejudicando as pessoas”.
Referiu-se a Powell como “chefe incompetente do Fed” e “cara ruim”, afirmando que ele sairia do cargo em poucos meses.
A Casa Branca classificou Powell como “mula de teimosia” por não reduzir as taxas enquanto a inflação permanecia acima da meta.
Janeiro de 2026: investigação criminal e novo capítulo da disputa
O conflito atingiu um novo patamar com a abertura de investigação criminal pelo Departamento de Justiça (DOJ) contra Powell, por suposta má administração e mentiras ao Congresso sobre reformas nos prédios do Fed.
Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas criticou Powell: “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”.
Resposta de Powell: Em vídeo, acusou o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política e afirmou que “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”.
Trump disse à Reuters que não tinha planos imediatos de demitir Powell, mas que era “muito cedo” para decidir.
Trump anunciou que indicaria um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio, com Kevin Warsh como principal cotado.